Crianças precisam de ônibus escolar, mas parlamentares preferem eventos
O ano letivo mal começou e começou mal. Prefeitos reclamam dos gastos com o transporte escolar, sem perspectiva de melhora. Tudo porque os parlamentares se “esquecem” de mandar emenda para comprar ônibus e micro-ônibus para levar os estudantes da zona rural para as aulas na cidade. Sobra dinheiro para eventos, como Deputados Aqui, aniversário de emancipação, rodeios, festival disso e daquilo, mas comida e locomoção de quem é o futuro do município, nada.
É um desvio completo. O micro-ônibus compete com bitrem lotado de cana e caminhão com cereal arrebentando as estradas vicinais. Sequer sobra espaço para as crianças, os adolescentes e jovens. Quando se chocam, adivinhe de que lado são as vítimas? Aliás, a Educação é vítima sempre – dos atuais 17 deputados federais e dos três senadores, que não indicam os veículos para transporte.
A desculpa dos congressistas é que o Ministério da Educação está sem estoque de micro-ônibus. Quando o comprador é o MEC, sai mais barato, porque adquire milhares por vez. Não é bem assim: parlamentares e prefeitos dão uma de espertalhões porque se o Governo Federal já está com os pátios cheios de veículos, nem precisa contar como emenda, simplesmente repassam.
Na hora de votar, é preciso saber quanto o seu deputado enviou para o transporte escolar. Se mandou emenda para shows, a possibilidade de haver rolo é imensa. Para a saúde, igualmente. Maquinário, também. Nos discursos, Educação é prioridade. Na prática, para bancar o leva-e-traz de alunos, as prefeituras têm de tirar dinheiro de um caixa quase vazio.