Mudança de sigla não é traição, é sobrevivência
José Nelto deixou o PP pelo União Brasil. Ismael Alexandrino (PSD) é visto em manifestações do PL. Lêda Borges (PSDB) está com o Governo Caiado (UB). Daniel Agrobom (PL) está sempre a um passo de ir para onde lhe oferecerem melhor nominata. Silvye Alves e Zacharias Calil podem pular para fora do UB. Magda Mofatto e Professor Alcides saíram do PL e estão de volta. Jeferson Rodrigues mudou de sigla e de grupo.
Ou seja, a maioria (9 dos 17) dos deputados federais temem pela sobrevivência.Entre os estaduais, a debandada será grande, a começar do presidente da Assembleia, Bruno Peixoto (UB), que vai para uma federação – aliás, a saída também para partidos não morrerem.
Se os políticos precisam de ar (mais conhecido como dinheiro), imagine as siglas… Para elas terem acesso ao Fundão Eleitoral (R$ 5 bilhões), precisam fazer ao menos 12 deputados federais no país inteiro. Fácil não é: em 2022, o Novo, do governador Romeu Zema (MG), elegeu apenas 3; a Rede, da ministra Marina Silva, só 2 (ela e Túlio Gadelha, marido da apresentadora Fátima Bernardes). O PSDB de Marconi Perillo e Aécio Neves (MG) escapou por pouco (elegeu 13), ainda assim por estar federado com o Cidadania.
Então, quando vier a janela partidária, o entra-e-sai será enorme, não porque são traíras (alguns até são, mesmo), mas por ser impossível renovar o mandato. Não apenas os nanicos querem se unir: os gigantescos UB e PP se juntaram numa federação desunida, mas se uniram. Ou é isso ou o declínio.