Inteligência Artificial vira maior risco para empresas no Brasil e supera ataques cibernéticos em ranking da Allianz
No Allianz Risk Barometer 2026, a IA lidera o ranking de riscos no Brasil pela primeira vez, enquanto ciberataques seguem como principal ameaça no cenário global
Pela primeira vez na série histórica do Allianz Risk Barometer, relatório anual de riscos corporativos elaborado pela seguradora corporativa Allianz Commercial, a inteligência artificial (IA) foi apontada pelos executivos como principal preocupação de segurança para os negócios no Brasil — superando riscos tradicionais como incidentes cibernéticos e mudanças regulatórias. No levantamento divulgado em janeiro de 2026, 32% dos gestores brasileiros citam a IA como seu maior risco, seguida por incidentes cibernéticos (31%), mudanças na legislação e regulamentação (28%), mudanças climáticas (27%) e catástrofes naturais (21%).
A colocação inédita da IA no topo do ranking reflete a aceleração de sua adoção nos processos empresariais e a crescente percepção de que seus impactos vão muito além de ganhos de produtividade. Embora softwares avançados como modelos generativos de linguagem e sistemas automatizados tragam vantagens estratégicas, os gestores veem também uma série de desafios — operacionais, legais e reputacionais — que ainda não conseguem ser plenamente geridos.
IA avança mais rápido do que a governança corporativa
Segundo Thomas Lillelund, CEO da Allianz Commercial, “considerando a crescente importância da IA na sociedade e na indústria, não é surpreendente que ela seja o principal fator de variação no Allianz Risk Barometer. Além de trazer enormes oportunidades, seu potencial transformador, aliado à rápida evolução e adoção, está remodelando o cenário de riscos, tornando-se uma preocupação central para empresas”.
Na prática, a tecnologia vem sendo incorporada a decisões estratégicas, análises de dados, atendimento ao cliente e automação de processos críticos. No entanto, especialistas alertam que a velocidade da adoção supera a capacidade das empresas de estruturar governança, acompanhar a regulação emergente e capacitar equipes, especialmente nas áreas jurídica, de compliance e de tecnologia da informação.

Tendência no Brasil acompanha cenário global de alerta
O movimento observado no mercado brasileiro reflete uma tendência internacional. No Allianz Risk Barometer 2026, elaborado a partir da opinião de mais de 3.300 especialistas em riscos de 97 países, a inteligência artificial saltou da décima colocação em 2025 para a segunda posição no ranking global, ficando atrás apenas dos incidentes cibernéticos, que lideram a lista pelo quinto ano consecutivo.
Esse avanço expressivo demonstra que a IA deixou de ser vista apenas como ferramenta de inovação e passou a ser encarada como um fator estruturante de risco, capaz de gerar impactos sistêmicos em cadeias produtivas, mercados financeiros e reputação corporativa, sobretudo quando decisões automatizadas falham ou apresentam vieses.
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Ciberataques seguem críticos e são potencializados pela IA
Apesar de perderem a liderança no Brasil, os incidentes cibernéticos continuam figurando entre as principais ameaças aos negócios. Ataques de ransomware, vazamentos de dados e paralisações de sistemas seguem crescendo em frequência e sofisticação, impulsionados, em muitos casos, pelo uso da própria inteligência artificial por grupos criminosos.
Especialistas ouvidos no levantamento apontam que a combinação entre inteligência artificial e fragilidades de segurança digital cria um ambiente de risco elevado, no qual algoritmos podem ser explorados para identificar vulnerabilidades com mais rapidez, automatizar ataques e ampliar o impacto financeiro e operacional das invasões.

Desigualdade digital amplia desafios para empresas brasileiras
No Brasil, o alerta corporativo sobre a inteligência artificial ocorre em paralelo a um cenário de desigualdade no acesso e no uso da tecnologia, especialmente no caso da IA generativa. Pesquisas recentes mostram que, embora milhões de brasileiros já utilizem ferramentas de inteligência artificial, o uso permanece concentrado entre as classes de maior renda e com ensino superior.
Esse desequilíbrio tende a limitar a formação de mão de obra qualificada e a capacidade das empresas de estruturar políticas internas sólidas de uso responsável da tecnologia. Para especialistas, a falta de qualificação ampla pode ampliar riscos operacionais e dificultar a implementação de modelos de governança eficazes.
Diante desse novo mapa de riscos, consultores e executivos reforçam que a inteligência artificial não deve ser evitada, mas incorporada de forma estratégica, com investimentos em governança, capacitação e segurança. Em um ambiente de transformação acelerada, a forma como as empresas gerenciam os riscos da inteligência artificial pode se tornar um diferencial competitivo — ou uma fonte relevante de prejuízos financeiros e reputacionais.