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segunda-feira, 26 de janeiro de 2026
Rotina escolar

Retorno escolar demanda atenção ao bem-estar emocional

Rotina escolar reativada após as férias expõe ansiedade, insegurança e o peso das expectativas no início do ano letivo

Luana Avelarpor Luana Avelar em 26 de janeiro de 2026
emocional
Foto: iStock

O retorno às aulas, frequentemente tratado como um simples recomeço do calendário escolar, aciona um processo mais complexo de reorganização emocional para crianças e adolescentes. A retomada da rotina interrompe o tempo dilatado das férias, reinstala horários rígidos e recoloca expectativas acadêmicas e sociais que nem sempre são assimiladas de forma imediata. Nos primeiros dias, sinais como irritabilidade, resistência ou dificuldade de concentração costumam emergir como respostas a essa transição.

Segundo a psicóloga Camila da Silva Conceição, o impacto não está restrito a alunos que demonstram rejeição ao ambiente escolar. “A volta às aulas representa uma transição. Mesmo crianças que gostam da escola podem apresentar irritabilidade, medo ou dificuldade de concentração. O acolhimento da família e da escola faz toda a diferença nesse processo”, afirma. Para a especialista, interpretar essas reações como parte do ajuste evita que comportamentos transitórios sejam tratados como problema permanente.

A preparação, segundo ela, deve começar antes do primeiro dia de aula, com a reintrodução gradual de horários de sono, alimentação e redução do tempo de telas. “Criar previsibilidade traz segurança emocional. Quando a criança sabe o que vai acontecer, ela se sente mais confiante”, diz Camila. A previsibilidade funciona como um eixo de estabilidade diante das mudanças impostas pela rotina escolar.

No campo pedagógico, o início do ano também exige contenção e leitura atenta dos estudantes. Para a pedagoga Taís Guimarães, o retorno não pode ser pautado exclusivamente pelo avanço do conteúdo. “O aprendizado acontece melhor quando a criança se sente pertencente ao ambiente. Nas primeiras semanas, é fundamental fortalecer vínculos, incentivar a escuta ativa e respeitar o ritmo de cada aluno”, afirma.

Ela alerta para os efeitos negativos de comparações precoces e cobranças excessivas. “Cada aluno carrega uma vivência diferente das férias. Alguns voltam mais motivados, outros mais inseguros. O papel da escola é observar, acolher e estimular, sem pressa”, completa. A orientação é que família e escola atuem de forma articulada, observando alterações persistentes de comportamento, queda brusca no rendimento ou queixas físicas recorrentes.

Mais do que marcar o fim do descanso, a volta às aulas inaugura um período de reconstrução. Um tempo em que aprender também significa reaprender a estar junto, a lidar com expectativas e a ocupar, novamente, o espaço coletivo da escola.

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