Síndico responde a 12 processos envolvendo corretora que desapareceu em Caldas Novas
Cleber Rosa de Oliveira é citado em ações por perseguição e lesão corporal movidas por Daiane Alves de Souza; caso segue sem suspeitos, segundo a polícia
O síndico Cleber Rosa de Oliveira, responsável pelo prédio onde desapareceu a corretora de imóveis Daiane Alves de Souza, de 43 anos, responde a 12 processos envolvendo a vítima, segundo informações da família. O caso ocorreu em Caldas Novas, no sul do estado, e segue sem definição sobre o paradeiro da mulher.
O processo mais recente foi protocolado em 19 de janeiro, 39 dias após o desaparecimento, quando o Ministério Público de Goiás denunciou Cleber pelo crime de perseguição (stalking). A denúncia inclui o agravante de abuso de função, já que ele exercia o cargo de síndico no edifício onde Daiane morava.
Outro caso considerado relevante pela família é uma ação penal por lesão corporal, de maio de 2025, na qual Cleber é acusado de ter atingido Daiane com uma cotovelada durante uma discussão. O conflito teria ocorrido quando a corretora questionava o desligamento do fornecimento de energia elétrica do apartamento.
Polícia não trata caso como crime
À frente das investigações, o delegado André Barbosa afirmou que, até o momento, o desaparecimento não é tratado como crime e que não há suspeitos formalmente identificados. Em entrevista à TV Anhanguera, o delegado declarou que todas as pessoas ligadas ao caso estão sendo tratadas apenas como envolvidas.
“Trabalhamos com a hipótese de a Daiane ter deixado o local por conta própria ou mesmo ter sido levada do prédio. A polícia não trabalha com suspeitos porque não existe comprovação de que Daiane possa ter sido morta”, disse.
Vídeo reforça histórico de conflitos
Imagens gravadas por Daiane antes de desaparecer reforçam o contexto de conflitos vividos por ela nos dias anteriores. Segundo familiares, os vídeos ajudam a esclarecer a rotina da corretora e integram o material que está sendo analisado pelas autoridades.
Na gravação, Daiane aparece consciente da situação, relatando o ocorrido enquanto acompanhava um serviço técnico no prédio, relacionado à falta de energia elétrica.
Últimos passos da corretora

Daiane foi vista pela última vez em 17 de dezembro, no prédio onde morava, no centro de Caldas Novas. De acordo com a mãe, naquele dia a corretora desceu até o subsolo do edifício para tentar restabelecer a energia do apartamento, que estava sem luz.
Câmeras de segurança registraram Daiane entrando no elevador por volta das 19h, enquanto gravava um vídeo para uma amiga. Ela sai da cabine logo depois e não retorna. A família informou que a porta do apartamento foi deixada aberta quando ela saiu, mas depois foi encontrada fechada.
As investigações também apontam que não houve movimentação bancária após o desaparecimento, após a quebra do sigilo financeiro. O carro da corretora estava em uma oficina em Uberlândia (MG), e familiares relataram que Daiane costumava usar aplicativos de transporte para se deslocar pela cidade.
O que diz a defesa de Cleber
A defesa técnica de Cleber Rosa de Oliveira, síndico do Condomínio Amethist Tower, informou que ele não figura como investigado no inquérito policial em curso e que mantém postura colaborativa com as autoridades, fornecendo todas as informações e acessos solicitados. Segundo a nota, a elucidação dos fatos é de interesse coletivo.
O comunicado também afirma que os conflitos entre as partes sempre foram tratados dentro da legalidade e pela via judicial. A defesa destaca que, em 19 de janeiro de 2026, o Ministério Público ofereceu denúncia contra Daiane Alves de Souza pelo crime de violação de domicílio, caso em que Cleber figura como vítima.
Em relação à denúncia apresentada contra o síndico por perseguição, a defesa sustenta que as condutas atribuídas a ele ocorreram no exercício de suas funções legais e administrativas, com o objetivo de manter a ordem condominial. A nota afirma ainda que as acusações são desprovidas de provas materiais e que a inocência de Cleber será demonstrada durante a instrução processual.
Por fim, os advogados pedem responsabilidade na divulgação de informações e evitam especulações que possam atingir a honra e a intimidade do síndico, que permanece à disposição da Justiça.