Pizza Master: uma investigação grande demais para dar em condenação
As investigações sobre o Banco Master e Daniel Vorcaro avançam para “acabar em pizza”. O problema não é a falta de indícios, mas o excesso de gente poderosa envolvida. As apurações atingem figuras da direita, do Centrão, como Ciro Nogueira (PP-PI), Ibaneis Rocha (MDB-DF) e da esquerda como o senador Jaques Wagner (PT-BA), o que transforma o caso em ameaça direta ao sistema como um todo. Quando todos aparecem no radar, ninguém pode cair, se não puxa os outros. Foi assim na Lava Jato. Primeiro o PT, depois PP, MDB, PSDB e todo o resto.
A saída encontrada para esse tipo de escândalo, é a velha engenharia processual, do mesmo estilo que tirou Lula (PT) da cadeia e lhe reconduziu à presidência. Os “peixes grandes”, com foro por prerrogativa de função, ficam sob a leniência do Supremo Tribunal Federal. Os “peixes pequenos”, da política e sem mandato, são empurrados para a primeira instância, onde processos andam mais rápido, mas atingem apenas a periferia do esquema. O roteiro é conhecido: sacrifica-se os anéis para preservar os dedos.
Para o STF, o cálculo é ainda mais sensível. Com rejeição elevada nas pesquisas de opinião (Datafolha: 58% dizem ter vergonha dos ministros do STF), a Corte não pode simplesmente arquivar tudo sem custo reputacional. Divide-se, então, a investigação para simular rigor: parte segue, parte evapora. O discurso oficial é técnico; o efeito prático é político. No final, produz-se a narrativa de que “a Justiça funcionou”, enquanto os principais nomes permanecem blindados.
O resultado tende a ser um inquérito que se move sem sair do lugar. Há investigação, mas não há responsabilização. Há manchetes, mas não há consequências. Quando o escândalo alcança direita, centro e esquerda ao mesmo tempo, o sistema reage como corpo único: fecha-se para fora. E, mais uma vez, a apuração vira pizza, servida fria, sob a vigilância protetora do STF, e agora, com gosto de Banco Master.