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sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Investimento estrangeiro atingiu maior valor em sete anos no segundo semestre

Lauro Veiga Filhopor Lauro Veiga Filho em 30 de janeiro de 2026
Investimento
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Os dados consolidados sobre os investimentos estrangeiros no Brasil nos 12 meses de 2025 não refletem, sozinhos, o comportamento do indicador ao longo do ano. O desempenho foi marcado por dois momentos distintos. No primeiro semestre, os investimentos recuaram 13,75%, caindo de US$ 40,977 bilhões no mesmo período de 2024 para US$ 35,344 bilhões, uma redução de US$ 5,633 bilhões.

Já no segundo semestre, houve uma forte aceleração. Os investimentos somaram US$ 42,333 bilhões, valor suficiente para mais do que compensar as perdas anteriores. Na comparação com os seis últimos meses de 2024, quando os aportes totalizaram US$ 33,114 bilhões, o crescimento foi de 27,84%, equivalente a um acréscimo de US$ 9,219 bilhões, segundo dados do Banco Central.

No fechamento de 2025, o avanço anual do investimento estrangeiro ficou limitado a 4,84%, com os valores passando de US$ 74,091 bilhões para US$ 77,676 bilhões. Em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), a participação teve variação marginal, de 3,39% para 3,41%. Esse indicador havia atingido 3,70% nos 12 meses encerrados em novembro, quando o volume investido chegou a US$ 83,085 bilhões.

Naquele momento, o investimento estrangeiro superava o déficit em transações correntes em 9,81%. Essa diferença aumentou para 12,92% no encerramento do ano, já que o déficit recuou 9,08% de novembro para dezembro, enquanto o investimento apresentou queda de 6,51%, sempre na comparação de períodos acumulados em 12 meses.

Em dezembro, em um movimento sazonal, empresas estrangeiras com filiais no Brasil destinaram liquidações líquidas de US$ 5,248 bilhões às suas matrizes. No mesmo mês, os ingressos de investimento somaram cerca de US$ 7,195 bilhões, queda de 39,26% em relação aos US$ 11,846 bilhões registrados em dezembro de 2024. Já as remessas ao exterior cresceram 6,48%, passando de US$ 11,686 bilhões para US$ 12,443 bilhões.

Mudança acelerada nas reservas

Atualização recente mostra que a mudança na composição das reservas internacionais ocorreu de forma mais rápida do que se estimava. Entre o fim de agosto e o encerramento de novembro, o volume de ouro adquirido pelo Brasil aumentou 33,01%, passando de 129,64 toneladas para 172,44 toneladas.

Em valores, as reservas em ouro cresceram 66,55% no período, saltando de US$ 14,360 bilhões para US$ 23,916 bilhões, um incremento de US$ 9,556 bilhões, impulsionado pela valorização de 19,66% do metal no mercado futuro. Esse aumento explica quase toda a evolução das reservas internacionais totais no intervalo, que avançaram de US$ 350,767 bilhões para US$ 360,578 bilhões, um acréscimo de US$ 9,811 bilhões.

Balanço das contas externas

Entre 2019 e 2025, o déficit em transações correntes apresentou variação moderada diante das previsões mais pessimistas feitas ao longo do período. O saldo negativo passou de US$ 63,960 bilhões para US$ 68,791 bilhões, aumento de 7,55%, o equivalente a US$ 4,831 bilhões.

Na conta de serviços, as despesas líquidas cresceram de US$ 38,481 bilhões para US$ 52,940 bilhões, alta de US$ 16,701 bilhões, ou 43,40%. Com isso, os serviços passaram a responder por 76,96% do déficit em transações correntes, ante 60,16% em 2019.

Mais da metade desse crescimento foi provocada pelas remessas para pagamento de serviços ligados ao setor de tecnologia. Os gastos com direitos de uso de propriedade intelectual, telecomunicações, computação, informações e aluguel de equipamentos aumentaram 42,93%, passando de US$ 21,982 bilhões para US$ 31,419 bilhões — maior valor desde 2014.

As despesas com propriedade intelectual saltaram de US$ 4,605 bilhões para US$ 11,166 bilhões, alta de 142,48%, o maior patamar da série histórica iniciada em 1995. Já os gastos com serviços de tecnologia da comunicação e informação quase triplicaram, avançando de US$ 2,287 bilhões para US$ 8,372 bilhões, crescimento de 196,14%.

Em sentido oposto, as despesas com aluguel de equipamentos recuaram 18,34%, caindo de US$ 14,550 bilhões para US$ 11,881 bilhões, redução de US$ 2,669 bilhões.

Pelo lado das receitas, os serviços financeiros prestados pelo Brasil ao exterior apresentaram resultado líquido positivo de US$ 1,211 bilhão em 2025, o maior da série histórica, ante US$ 350,055 milhões em 2019 — um avanço de 245,98%.

No setor de serviços empresariais, incluindo arquitetura e engenharia, houve recuperação parcial após a forte retração causada pela Operação Lava Jato e pela pandemia. As receitas, que haviam caído de US$ 10,811 bilhões em 2014 para US$ 4,164 bilhões em 2020, alcançaram US$ 6,938 bilhões em 2025, maior valor desde 2016. Apesar do avanço, o montante ainda ficou 35,8% abaixo do pico registrado em 2014.

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