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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Em um ano de recordes, empregos que exigem maior qualificação predominam

Lauro Veiga Filhopor Lauro Veiga Filho em 2 de fevereiro de 2026
empregos
Foto:Rafa Dotti

O mercado de trabalho não apenas bateu todos os recordes no ano passado, ao registrar o maior número de pessoas ocupadas, o menor desemprego e a taxa de subutilização da força de trabalho mais baixa em toda a série histórica, como também apresentou o maior rendimento médio real e os valores mais elevados para a massa salarial desde que a versão atual da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC) começou a ser realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2012.

A geração de empregos foi amplamente dominada por ocupações que demandam níveis mais elevados de qualificação dos trabalhadores, refletindo uma melhora na capacitação da força de trabalho. Esse movimento tende a influenciar positivamente os indicadores de produtividade da economia.

As mudanças podem ser observadas mesmo na análise de dados de curto prazo, com uma ressalva relevante: a indústria geral — incluindo os setores de transformação e de extração mineral — vem perdendo espaço relativo na composição da força de trabalho ocupada. Esse cenário sinaliza a crise gerada pelo processo de desindustrialização precoce ao qual a economia brasileira tem sido submetida nas últimas décadas.

Entre o quarto trimestre de 2024 e o mesmo período do ano seguinte, o número de pessoas ocupadas cresceu de 101,832 milhões para 102,998 milhões, avanço de 1,1%, atingindo o nível mais elevado da série histórica da pesquisa. Foram abertas, portanto, cerca de 1,166 milhão de novas ocupações em toda a economia.

Vale destacar que, no primeiro semestre, o número de ocupados vinha crescendo a um ritmo anual entre 2,4% e 2,5%, o que resultou na criação de 2,3 milhões a 2,4 milhões de empregos na comparação com os mesmos períodos de 2024. Houve, porém, um nítido desaquecimento na velocidade de crescimento do emprego, tendência confirmada também pelas estatísticas do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), que acompanha exclusivamente o mercado formal.

Fechando esse parêntese, os setores de informação e comunicação; atividades financeiras e imobiliárias; profissionais e administrativas; além da administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais ampliaram as contratações em 4,8% desde o final de 2024. O número de trabalhadores nesses segmentos aumentou de 31,037 milhões para 32,518 milhões, ou seja, cerca de 1,481 milhão a mais.

O restante da economia apresentou leve recuo ou estagnação no número de pessoas ocupadas, passando de 70,795 milhões para 70,480 milhões, o que representa 315 mil demissões ou uma queda de 0,4%. Com isso, a participação daqueles dois grandes grupos de atividades no total de ocupados subiu de 30,48% para 31,57% em 12 meses.

A participação da indústria na ocupação geral oscilou de 12,92% no quarto trimestre de 2024 para 12,71% no mesmo período do ano seguinte. O setor havia empregado 13,161 milhões de trabalhadores no final de 2024 e encerrou 2025 com 13,098 milhões, fechando 62 mil vagas, o que representou recuo de 0,5%, segundo o IBGE.

Como houve queda de 1,5% no total de trabalhadores informais — de 39,307 milhões para 38,707 milhões, praticamente 600 mil a menos —, o avanço das ocupações foi novamente sustentado pelo emprego formal, que cresceu 2,8% na comparação entre o quarto trimestre de 2024 e o mesmo período de 2025.

O emprego formal, que inclui trabalhadores com carteira assinada, conta própria e empregadores com registro no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ), aumentou de 59,229 milhões para 60,908 milhões, somando 1,679 milhão de contratações. Apesar da redução, o contingente de informais ainda representa parcela significativa do total de ocupados, aproximando-se de 37,6% no trimestre encerrado em dezembro, ante 38,6% um ano antes.

Com a ocupação batendo recordes, o número de trabalhadores desocupados caiu 17,7% em 12 meses, passando de 6,684 milhões para 5,503 milhões — redução de cerca de 1,182 milhão de pessoas. Com isso, a taxa de desemprego recuou de 6,2% para 5,1%, os menores patamares desde o início da PNAD Contínua.

O rendimento médio real habitual dos trabalhadores também apresentou avanço expressivo, com alta de 5,0% acima da inflação, passando de R$ 3.440 para o recorde de R$ 3.613. Esse desempenho contribuiu para sustentar o crescimento da massa real de rendimentos, que, descontada a inflação, subiu de R$ 345,521 bilhões para R$ 367,551 bilhões — variação de 6,4% e ganho real de R$ 22,030 bilhões para as famílias.

Juntamente com os dados finais do mercado de trabalho de 2025, o IBGE divulgou ainda as médias anuais do número de ocupados desde 2012. Entre 2014 e 2025, a série aponta crescimento de 12,40%, com o total de ocupados passando de 91,619 milhões para 102,983 milhões, o que equivale à criação de 11,364 milhões de empregos.

Quase dois terços desse crescimento concentraram-se nos setores de informação e comunicação e de administração pública, defesa, seguridade social e outros serviços. Em 2014, essas áreas reuniam cerca de 25,026 milhões de trabalhadores, ou 27,32% do total de ocupados. Em 2025, o contingente chegou a 32,367 milhões, crescimento de 29,3% e abertura de 7,341 milhões de vagas, o equivalente a 64,6% das novas ocupações do período.

No sentido oposto, a indústria geral fechou 73 mil ocupações entre 2014 e 2025, reduzindo o total de trabalhadores de 13,394 milhões para 13,321 milhões, o que caracteriza estagnação, com variação negativa de 0,5%. A participação do setor no total de empregos caiu de 14,61% para 12,93%.

A agropecuária também perdeu espaço, com a eliminação de 1,567 milhão de postos de trabalho, reduzindo o número de ocupados de 9,443 milhões para 7,876 milhões — queda de 16,6%. A participação da atividade no total de ocupações recuou de 10,31% para 7,65%.

Por outro lado, os segmentos de comércio e reparação de veículos e de transporte, armazenagem e correio ampliaram significativamente o número de trabalhadores. O comércio contratou 2,080 milhões de pessoas, elevando o total de ocupações de 17,397 milhões para 19,477 milhões, mantendo participação estável de 18,9%. Já o setor de transporte e logística registrou crescimento de 34,44%, com o número de ocupados saltando de 4,352 milhões para 5,851 milhões, acréscimo de 1,499 milhão de vagas.

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