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terça-feira, 3 de fevereiro de 2026
saúde vascular

Calor do verão agrava varizes e expõe riscos à saúde vascular

Altas temperaturas intensificam inchaço, dor e sensação de peso nas pernas, e especialistas alertam para a importância do diagnóstico precoce

Luana Avelarpor Luana Avelar em 3 de fevereiro de 2026
varizes
Foto: iStock

O aumento das temperaturas expõe um problema recorrente e frequentemente subestimado na saúde vascular: o agravamento das varizes durante o verão. A dilatação dos vasos sanguíneos provocada pelo calor dificulta o retorno venoso das extremidades ao coração, ampliando sintomas que, fora da estação, podem permanecer toleráveis ou pouco perceptíveis.

Ao longo do dia, especialmente no fim da tarde, tornam-se mais comuns manifestações como inchaço progressivo, dor localizada, sensação de peso, queimação e fadiga nas pernas. Em muitos casos, esses sinais são interpretados como efeitos naturais do calor, o que posterga a investigação clínica e permite que alterações circulatórias avancem sem acompanhamento adequado.

“O verão funciona como um período de maior sobrecarga para o sistema venoso. Quando há doença venosa instalada, o calor intensifica os sintomas e torna o desconforto mais evidente”, explica Ilana Barros.

Varizes e a progressão das doenças venosas

As varizes integram o grupo das doenças venosas de maior incidência na população adulta. Dados amplamente utilizados na prática clínica indicam que entre 30% e 40% das pessoas apresentam algum grau de insuficiência venosa crônica, condição considerada de alto impacto do ponto de vista epidemiológico.

No Brasil, a Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV) alerta que os meses mais quentes concentram aumento expressivo na procura por atendimento vascular, motivada sobretudo por dor, edema persistente e piora funcional das pernas. O padrão sazonal reforça que esses sintomas não são episódicos, mas indicativos de alterações estruturais na circulação venosa.

Além da temperatura elevada, fatores comuns do verão contribuem para a piora do quadro, como longos períodos em pé ou sentado, redução da prática regular de exercícios, menor ingestão hídrica e uso de roupas que dificultam o retorno venoso. Esses elementos, combinados, criam um ambiente propício para a progressão das varizes.

“Muitas pessoas só procuram ajuda quando a dor ou o inchaço se tornam intensos, mas sinais persistentes indicam que a saúde vascular precisa ser avaliada com atenção”, destaca a especialista.

Quando o desconforto deixa de ser sazonal

Pessoas com histórico familiar, gestantes, pacientes com obesidade, usuários de hormônios e profissionais que permanecem longas horas na mesma posição apresentam risco maior de agravamento durante o verão. Nesses grupos, a negligência dos sintomas pode acelerar a evolução da insuficiência venosa.

As diretrizes médicas indicam que a avaliação clínica associada ao ultrassom doppler é fundamental para identificar falhas no fluxo sanguíneo e definir a conduta mais adequada. O diagnóstico precoce reduz o risco de complicações como inflamações recorrentes, alterações cutâneas e, em estágios avançados, feridas venosas de difícil cicatrização.

Medidas simples ajudam a reduzir o impacto diário do problema, como manter hidratação adequada, evitar imobilidade prolongada, elevar as pernas ao final do dia e incluir atividades físicas leves na rotina.

“O verão não precisa ser sinônimo de dor ou limitação para quem convive com varizes. Com diagnóstico correto e cuidados adequados, é possível controlar os sintomas e preservar a saúde vascular”, conclui Ilana Barros.

Leia também: https://ohoje.com/2025/08/24/saude-vascular-ainda-e-negligenciada-no-brasil/

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