Juiz revoga prisão de “Barbie do Crime” e da mãe dela em Goiânia
Decisão judicial acolheu argumentos da defesa de que prisão preventiva era desproporcional; modelo é investigada por supostos golpes desde 2011 com centenas de vítimas no Brasil
O juiz Fábio Vinícius Gorni Borsato, da comarca de Goiânia, revogou nesta terça-feira (03) a prisão preventiva de Bruna Cristine Menezes de Castro, de 36 anos, conhecida nas redes sociais e no meio policial como a “Barbie do Crime”, e da mãe dela, Cristiane Lopes Menezes. As duas estavam detidas desde a última sexta-feira (30), sob acusação de estelionato após a Polícia Militar cumprir um mandado de prisão em aberto em Goiânia.
O juiz entendeu não haver mais justificativa para manter a custódia em regime fechado. A prisão havia sido decretada após o Ministério Público argumentar que as acusadas não haviam sido localizadas nos endereços indicados nos autos processuais e tampouco haviam constituído advogado. Para o MP, isso poderia configurar tentativa de obstrução de Justiça.
A defesa de Bruna recorreu da decisão que ordenou a prisão, alegando que a medida cautelar era desproporcional quando comparada à natureza dos fatos imputados e destacando que a cliente tinha endereço fixo, circunstância comprovada no momento da prisão, quando ela foi detida em sua própria casa, onde estava com os três filhos menores.
Outro ponto determinante na decisão do juiz foi o depósito, em juízo, do valor integral — R$ 3,5 mil — referente ao suposto dano causado à vítima principal do golpe que motivou o mandado de prisão preventiva. Para a defesa, esse pagamento demonstra boa-fé e colaboração com o andamento do processo.
Ao revogar a prisão preventiva, o magistrado destacou que o fundamento original — ausência de localização das acusadas — deixou de existir, uma vez que ambas foram localizadas e compareceram regularmente aos atos do processo. Ele ressaltou ainda que “o comportamento processual das denunciadas revela que elas não tencionam dificultar o regular andamento do feito ou se furtar à aplicação de eventual sanção penal”.
Barbie do crime tem histórico de golpes e acusações reiteradas

Bruna Cristine Menezes, amplamente conhecida como “Barbie do crime”, é alvo de diversas investigações por estelionato, com registros que remontam a 2011. A suspeita já teria feito mais de 100 vítimas em diferentes estados brasileiros, incluindo Goiás, Rio de Janeiro e Distrito Federal.
Uma das primeiras acusações, há cerca de 15 anos, traz quando Bruna teria se aproveitado de um relacionamento amoroso para obter vantagens ilícitas, alegando falsamente estar com câncer e recebendo mais de R$ 15 mil da vítima.
A partir de 2015, a modelo teria ampliado sua atuação criminosa, utilizando perfis em redes sociais para anunciar vendas de produtos importados — como eletrônicos, maquiagens e perfumes — que nunca eram entregues aos consumidores. Em alguns dos casos, vítimas teriam pago valores como R$ 3,1 mil e R$ 700 pela compra de celulares que jamais chegaram.
“Barbie do crime” já foi condenada anteriormente por estelionato, recebendo pena de um ano e três meses de reclusão, além de multa, em processos referentes a golpes aplicados via internet. A condenação, no entanto, foi convertida em penas alternativas, como prestação de serviços à comunidade e prestação pecuniária, resultando no arquivamento do caso.
Nós ainda não conseguimos localizar a defesa de Bruna para saber se ela já está em liberdade.
*Essa notícia está em atualização.
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