Na dança dos lobos, candidatura do PSD cai no colo de Caiado
Em tese, o PSD de Gilberto Kassab tem quatro pré-candidatos à Presidência da República, três próprios [os governadores Ronaldo Caiado, Ratinho Jr. (PR) e Eduardo Leite (RS)] e Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP). Mas a fase está de tal forma boa para Caiado que todos vão refluindo. Tarcísio não gostou de ter as orelhas puxadas por Kassab, que em resumo o chamou de serviçal da família Bolsonaro. Ratinho enfrenta perrengue em casa, com adversários tomando-lhe as vagas majoritárias. E não adianta chorar sobre o Leite derramado, pois o gaúcho será candidato a senador.
Caiado virou palestrante internacional para o empresariado nacional e a cada dessas viagens articula sem parar. Antes, o sistema era 80/20, a cada dez bilionários viúvos de Tarcísio, oito estavam com Ratinho e só dois com Caiado. Agora, o Princípio de Pareto se reverteu. Sem brigar com Jair Bolsonaro (PL) nem com o senador Flávio (PL-RJ), o filho por ele escolhido para tentar a presidência, Caiado sobreviveu.
O eleitor de centro (não necessariamente do Centrão) que não gosta do PT tende a ficar com Caiado. O da direita não radical, idem. O agro, também. O da segurança pública, claro. E mais ainda a direita raiz, a de antes de virar modinha, tipo Ciro Nogueira. Não é contra Jair Bolsonaro, é uma alternativa a Flávio Bolsonaro. Em 1989, Ronaldo Caiado do PSD foi o 1º a denunciar a maracutaia do PT. Na época, deu em nada, mas adiou em 14 anos a chegada do petismo à Presidência da República – deu tempo de fazer o Plano Real e proporcionar o equilíbrio econômico que nem a esquerda conseguiu destruir. (Especial para O HOJE)