Mesmo com novas dietas, feijão não sai do prato
Grão reúne proteínas, fibras e custo compatível com a mesa brasileira
O debate sobre alimentação passa a incorporar variáveis como custo, densidade nutricional e segurança dos alimentos, mas o feijão mantém uma posição importante na dieta brasileira. Longe de ser apenas um marcador cultural, o grão continua a cumprir funções práticas em um sistema alimentar pressionado por inflação, mudanças de hábito e maior atenção à qualidade do que chega ao prato.
A permanência do feijão no cotidiano não se explica apenas pela tradição. Trata-se de um alimento que combina alta concentração de nutrientes, baixo custo relativo e capacidade de adaptação a diferentes contextos alimentares. Em um cenário de transição nutricional, no qual cresce a preocupação com dietas restritivas, redução do consumo de carnes e busca por maior equilíbrio metabólico, o grão se reafirma como solução eficiente e acessível.

Segundo a nutricionista Dra. Aline Maldonado, “o feijão é um alimento extremamente completo do ponto de vista nutricional. Ele é fonte de proteínas vegetais, fibras, ferro, magnésio e vitaminas do complexo B, nutrientes fundamentais para o funcionamento do organismo”. O consumo regular, explica, atua em frentes distintas da saúde: favorece o funcionamento intestinal, auxilia no controle da glicemia e contribui para maior sensação de saciedade, elemento-chave na organização das refeições ao longo do dia.
A lógica nutricional do feijão também se fortalece quando observado em conjunto com outros alimentos básicos da mesa brasileira. “Quando combinado com cereais, como o arroz, o feijão oferece um perfil de aminoácidos mais completo, o que é especialmente importante para pessoas que reduzem o consumo de proteínas de origem animal”, afirma a especialista. A associação, consolidada há décadas, segue atual ao responder às demandas de dietas mais balanceadas sem recorrer a alimentos ultraprocessados ou suplementos.
Não há, segundo a nutricionista, uma prescrição rígida sobre quantidade ideal. “O ideal é que o feijão esteja presente de forma regular nas refeições, respeitando o contexto alimentar e cultural de cada pessoa”, orienta Dra. Aline. De forma geral, uma porção diária, entre meia e uma concha, é suficiente para garantir os benefícios nutricionais do alimento.

Além da função estrutural na alimentação, o feijão ampliou suas possibilidades de uso à medida que novos padrões de consumo se consolidaram. “Ele pode ser usado em saladas, sopas, caldos, pastas, hambúrgueres vegetais e até em receitas mais criativas, o que facilita sua inclusão na rotina alimentar”, completa a nutricionista. A versatilidade tem permitido que o grão atravesse mudanças de comportamento sem perder espaço.
Ao resistir a modismos e oscilações do mercado alimentar, o feijão permanece como um dos elementos mais racionais da dieta brasileira: simples, eficiente e alinhado às exigências nutricionais contemporâneas.