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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026
NEGOCIOS

Suplementos deixam o esporte, ganham o dia a dia e movem bilhões no Brasil

Com avanço anual estimado em 9,5% até 2036, setor é impulsionado por saúde preventiva, formatos inovadores e regras mais rígidas da Anvisa

Otavio Augustopor Otavio Augusto em 11 de fevereiro de 2026
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Foto: Divulgação

O mercado brasileiro de suplementos alimentares atravessa um dos períodos mais robustos de sua trajetória. Sustentado pela expansão da saúde preventiva, pelo envelhecimento da população e pela mudança no estilo de vida urbano, o setor projeta crescimento médio anual de 9,5% entre 2026 e 2036. O desempenho coloca o Brasil como o terceiro país com maior expansão da demanda global, atrás apenas de Índia e China, segundo a Future Market Insights (FMI). Trata-se de um avanço que não se limita ao volume de vendas, mas sinaliza uma transformação estrutural na forma como os suplementos são desenvolvidos, comunicados e consumidos.

Levantamento realizado no fim de 2025 traçou um retrato claro desse novo consumidor. A creatina aparece como o suplemento mais desejado, citada por 57,8% dos entrevistados, seguida por whey protein (31,3%) e vitaminas (6,4%). O dado reforça que o consumo deixou de estar restrito ao universo esportivo e passou a dialogar com rotinas de bem-estar, longevidade e manutenção da saúde metabólica. Em estados como Goiás, onde o crescimento do varejo alimentar e dos marketplaces amplia o acesso a esses produtos, o consumo acompanha essa tendência de diversificação e interiorização do mercado.

Do desempenho à saúde integral

Segundo Sandro Botta, CEO da Hilê Indústria de Alimentos, a ascensão de ingredientes como creatina, magnésio em diferentes formas químicas e picolinato de cromo reflete uma busca por soluções contínuas e integradas à rotina. Para ele, o consumidor brasileiro tornou-se mais crítico e funcional, avaliando não apenas a promessa do produto, mas sua utilidade prática no dia a dia. A suplementação passou a ser menos sobre performance imediata e mais sobre vitalidade, prevenção e equilíbrio ao longo do tempo.

Suplemento
Foto: Divulgação

Esse movimento acompanha uma tendência global. Dados da FMI indicam que o mercado mundial de suplementos ultrapassou US$ 252 bilhões em 2025, impulsionado por demandas ligadas à longevidade, saúde cognitiva e bem-estar metabólico. A expectativa de vida maior e o interesse crescente por envelhecer com qualidade ampliaram o público consumidor, que hoje vai muito além de atletas e frequentadores de academias.

Formatos inovadores e consumo cotidiano

Um dos sinais mais visíveis dessa nova fase é o crescimento de formatos considerados mais práticos e palatáveis. Gomas, géis e shots líquidos ganharam protagonismo por oferecerem conveniência, melhor aceitação sensorial e facilidade de transporte. Para Botta, as gomas ocupam um espaço estratégico, inclusive como alternativa ao consumo de doces, dialogando com um público que busca reduzir açúcar sem abrir mão de sabor.

Esses formatos aproximam o suplemento do cotidiano e aumentam a adesão ao uso contínuo, especialmente em rotinas urbanas aceleradas. O consumo deixa de ser ritualizado e passa a ser incorporado a momentos simples do dia, o que amplia o mercado e redefine estratégias de desenvolvimento de produto.

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Influência digital e decisão de compra

A transformação digital também alterou profundamente o processo de decisão. O fortalecimento do marketing de influência baseado em prova social real fez com que vídeos espontâneos, depoimentos autênticos e conteúdos não produzidos ganhassem mais credibilidade do que campanhas tradicionais. Executivos do setor apontam que a disputa central hoje é pela atenção do consumidor, cada vez mais exposto a múltiplas marcas e canais.

Ao mesmo tempo, o aumento da concorrência, inclusive com novos players, tornou a educação do consumidor um ativo estratégico. Levar informação clara sobre propósito, uso correto e benefícios reais passou a ser parte essencial da jornada, desde a descoberta do produto até a recompra.

Os pilares que definiram o mercado de suplementos no Brasil e o que esperar em 2026 1024x546 1
Foto: Divulgação

Regulação, ciência e maturidade do setor

Outro eixo central dessa transformação é a regulação. A prorrogação do prazo de adequação à RDC nº 843/2024, formalizada pela RDC nº 990/2025, estendeu até setembro de 2026 a implementação de exigências mais rigorosas para suplementos e alimentos para controle de peso. A partir desse marco, testes de estabilidade passam a ser obrigatórios, garantindo que os ingredientes declarados permaneçam ativos durante todo o prazo de validade.

Para a indústria, o novo ambiente regulatório eleva o padrão do setor e reduz brechas para produtos ineficazes ou inseguros. Botta avalia que marcas com cultura sólida de qualidade tendem a se beneficiar, enquanto empresas menos estruturadas enfrentarão maiores dificuldades. A inovação, nesse contexto, passa a caminhar lado a lado com a comprovação científica.

O ano de 2025 consolidou essa maturidade. A inteligência artificial entrou de forma definitiva no desenvolvimento de suplementos, acelerando pesquisas, análises de ingredientes e formulações. Ao mesmo tempo, aumentou a responsabilidade técnica das empresas, em um cenário em que tecnologia, ciência e regulação se tornaram indissociáveis.

Com crescimento consistente, maior concorrência e consumidores mais atentos, o mercado brasileiro de suplementos entra em 2026 em um ponto de inflexão. Mais do que vender mais, o desafio agora é crescer melhor, com produtos confiáveis, formatos acessíveis e impacto real na saúde da população.

 

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