Veículos eletrificados alcançam 15% das vendas e consolidam virada no mercado
Em janeiro de 2026, o Brasil emplacou 23,7 mil veículos eletrificados, alta de 88% em um ano
O mercado brasileiro de veículos leves eletrificados iniciou 2026 com números que reforçam uma mudança estrutural no setor automotivo. Em janeiro, foram 23.706 emplacamentos, o que garantiu aos eletrificados 15% de participação sobre o total de 162.484 veículos leves vendidos no país, segundo dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). O volume representa um crescimento de 88% na comparação com o mesmo mês de 2025 e sinaliza que a eletromobilidade deixou de ocupar um espaço periférico para se tornar um dos principais vetores de transformação da indústria automotiva nacional.
Embora o resultado seja 30% inferior ao registrado em dezembro de 2025, quando o setor atingiu o maior volume da série histórica, com 33.905 unidades, o recuo é tratado como sazonal. Tradicionalmente, o primeiro mês do ano apresenta desaceleração nas vendas, influenciada por férias, menor apetite ao consumo e ajustes de estoque das concessionárias. Ainda assim, janeiro de 2026 consolida o melhor desempenho já observado para o mês desde o início do monitoramento do setor.

Plug-in atingem dois dígitos e redefinem o mercado
O avanço mais significativo foi registrado entre os veículos com recarga externa, que incluem os 100% elétricos (BEV) e os híbridos plug-in (PHEV). Juntas, essas tecnologias somaram 16.649 unidades emplacadas, alcançando 10% de participação sobre o total de veículos leves vendidos no país. É a primeira vez que os modelos plug-in atingem dois dígitos de market share no Brasil, marco considerado simbólico para o amadurecimento do setor.
Os plug-in responderam por mais de 70% de todos os eletrificados comercializados em janeiro. Os híbridos plug-in lideraram, com 8.399 unidades, seguidos de perto pelos veículos 100% elétricos, que somaram 8.250 emplacamentos. Na comparação anual, os BEV apresentaram crescimento expressivo de 123%, enquanto os PHEV avançaram 25%, refletindo tanto a ampliação do portfólio disponível quanto estratégias comerciais mais agressivas adotadas pelas montadoras.
Para a ABVE, o desempenho reflete uma combinação de fatores. Entre eles, estão a maior oferta de modelos, a redução gradual dos preços em alguns segmentos, o avanço da infraestrutura de recarga e uma mudança no perfil do consumidor, cada vez mais atento a custos de uso, eficiência energética e impacto ambiental.
Leia também: Inteligência Artificial vai transformar 22% das ocupações até 2030
Híbridos sem recarga mantêm espaço no consumo
Os híbridos convencionais, que não dependem de recarga externa, também seguem relevantes no mercado brasileiro. Em janeiro, os HEV e HEV Flex totalizaram 7.057 unidades, o equivalente a 29,8% do total de eletrificados vendidos no mês. Os HEV tradicionais registraram 3.600 emplacamentos, com crescimento de 133% na comparação com janeiro de 2025.
Já os HEV Flex, tecnologia adaptada à realidade brasileira por utilizar o etanol como combustível principal, somaram 3.457 unidades, avanço de 467% em relação ao mesmo período do ano anterior. O salto expressivo indica que o consumidor ainda enxerga nesses modelos uma alternativa de transição, especialmente em regiões onde a infraestrutura de recarga ainda é limitada.

Sudeste concentra vendas, mas avanço é nacional
Do ponto de vista regional, o Sudeste manteve a liderança absoluta, com 11.127 veículos eletrificados vendidos, o equivalente a 47% do mercado nacional. O Nordeste aparece na sequência, com 4.465 unidades, seguido pelo Sul, com 4.032 emplacamentos, evidenciando que a eletromobilidade começa a avançar para além dos grandes centros econômicos tradicionais.
Entre os estados, São Paulo lidera com folga, somando 7.067 unidades, impulsionado por renda média mais elevada, maior oferta de infraestrutura de recarga e presença de concessionárias especializadas. O Distrito Federal, com 1.951 veículos, chama atenção pelo desempenho proporcional, refletindo tanto o perfil do consumidor quanto políticas locais de incentivo. No recorte municipal, São Paulo, Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Curitiba concentram os maiores volumes de vendas.
Com crescimento consistente, diversificação tecnológica e expansão geográfica, o mercado de veículos eletrificados entra em 2026 como um dos segmentos mais dinâmicos da economia automotiva brasileira. O desempenho indica não apenas uma mudança no padrão de consumo, mas também desafios crescentes para infraestrutura, cadeia produtiva e políticas públicas, que precisarão acompanhar a velocidade da transformação em curso.