Bad Bunny leva identidade latina ao Super Bowl
Show em espanhol provocou reação de Trump e se tornou o mais visto da história do intervalo do evento
O show do intervalo do Super Bowl LX, realizado no último domingo (8), na Califórnia, marcou uma inflexão histórica no evento esportivo mais assistido da televisão americana. Diante da maior audiência já registrada pelo espetáculo, Bad Bunny ocupou o palco não apenas como atração musical, mas como agente de afirmação cultural, linguística e política, ao conduzir quase toda a apresentação em espanhol e ancorá-la em referências explícitas de Porto Rico.
Segundo dados divulgados pela emissora NBC, o intervalo foi acompanhado por cerca de 135 milhões de espectadores em todo o mundo, superando o recorde anterior, de 2025, quando o show de Kendrick Lamar havia alcançado aproximadamente 127 milhões. A marca consolidou Bad Bunny como protagonista do intervalo mais visto da história do Super Bowl.
A repercussão extrapolou o campo musical. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou o espetáculo como “absolutamente terrível” e “um dos piores de todos os tempos”, em publicação na Truth Social. Também afirmou que a apresentação representava “uma afronta à grandeza da América” e criticou o uso do espanhol, alegando que parte do público não compreenderia o conteúdo. Dias antes do evento, Trump já havia se manifestado contra a escolha de Bad Bunny e reconheceu que a decisão influenciou sua ausência no estádio.
Bad Bunny rejeita adaptação e afirma identidade porto-riquenha
Desde a abertura, o telão exibiu a expressão “el espectáculo de medio tiempo del Súper Tazón”, sem tradução. Ao longo dos 13 minutos de apresentação, Bad Bunny evitou concessões estéticas ou linguísticas ao público anglófono e estruturou o espetáculo a partir de símbolos da experiência porto-riquenha e latina nos Estados Unidos.
A cenografia reproduziu cenas do cotidiano da ilha, com trabalhadores rurais, idosos jogando dominó, barracas de comércio popular, um salão de manicure e a “casita”, elemento recorrente na narrativa visual do artista. As coreografias incorporaram o perreo, dança surgida em Porto Rico nos anos 1980 e frequentemente alvo de críticas de setores conservadores.
O palco recebeu participações pontuais de Cardi B, Karol G, Pedro Pascal e Jessica Alba. Em um dos momentos mais comentados, Lady Gaga apareceu acompanhada por uma banda porto-riquenha de salsa para interpretar Die With a Smile em versão latina, sem deslocar o eixo cultural do espetáculo. Ricky Martin dividiu os vocais com Bad Bunny em Lo que le pasó a Hawaii, música que estabelece paralelos entre a incorporação do Havaí aos Estados Unidos e os debates históricos sobre o status político de Porto Rico.
O repertório priorizou canções recentes e de forte carga simbólica, como NUEVAYoL. Em outro momento de destaque, um casal participou de uma cerimônia de casamento realizada no palco, com o artista atuando como testemunha, conforme confirmado por representantes de sua equipe.
No encerramento, Bad Bunny ergueu uma bola de futebol americano com a inscrição “Juntos, somos a América”. Após dizer “God bless America”, passou a enumerar, em espanhol, os países do continente, incluindo Estados Unidos e Porto Rico. No telão, a frase “A única coisa mais poderosa do que o ódio é o amor” acompanhou dançarinos que carregavam bandeiras latino-americanas.
Com mais de uma década de carreira, o cantor porto-riquenho consolidou-se como um dos principais nomes da música latina contemporânea. Em 2026, venceu o Grammy de Álbum do Ano com Debí Tirar Más Fotos, feito inédito para um disco inteiramente em espanhol. A audiência recorde do Super Bowl LX evidenciou que uma apresentação conduzida fora dos padrões tradicionais do evento foi capaz de mobilizar o maior público de sua história e deslocar o centro do espetáculo para um debate cultural e político de alcance global.
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