Daniel vai herdar Estado em situação de equilíbrio financeiro
O Propag (Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados) rendeu mais bate-boca que esclarecimento. No fim, foi bom Goiás ter entrado. Em resumo, renegociou-se com a União o papelório das dívidas com 30 anos para pagar, com acordos camaradas. Imaginava-se que o Estado estivesse mais moído que vidro em pó, depois de décadas de descontrole orçamentário e horrores ainda piores, desde os tempos pré-Lei de Responsabilidade Fiscal. Esteve entre os cinco piores, estacionou em 9º, num blocão na faixa dos 30% de débito relativo à arrecadação. Portanto, Daniel Vilela vai assumir no fim do próximo mês exalando equilíbrio nos cofres – ao contrário de Alcides Rodrigues em 2006 e Ronaldo Caiado em 2019.
Os mais atolados em dívidas são os que deveriam ser imitados – noutras áreas, claro: o encrencadíssimo Rio Grande do Sul (173,8%) passou para o Rio de Janeiro (217,2%) a bola de mais endividado do País, seguido de Minas Gerais (167,44%) e São Paulo (123,46%). O time dos pobres que devem até o pescoço começa com Alagoas (71,44%), Piauí (71,27%), Rio Grande do Norte (48,54%) e Bahia (35,61%).
Portanto, nada de assustar. Rico deve três vezes mais que o patrimônio. Se disser o contrário, não é tão rico ou está mentindo. Das 27 unidades da federação, apenas Paraná, Rondônia, Mato Grosso e Espírito Santo estão no azul. Estado é como país, não tem de dar lucro. A dívida externa dos Estados Unidos é de 22 trilhões de dólares. Do Reino Unido, US$ 9 trilhões. França e Alemanha, na faixa dos US$ 6 trilhões cada. O Brasil também entrou na faixa do trilhão. De dólares. O que isso significa? Dívida pública é problema maior para o credor. (Especial para O HOJE)