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terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Reservas em ouro do Brasil mais do que triplicaram em dois anos

Lauro Veiga Filhopor Lauro Veiga Filho em 10 de fevereiro de 2026

Impulsionadas pela forte valorização do metal desde o ano passado e por uma decisão estratégica do governo brasileiro na gestão de seus ativos internacionais, reforçada no quarto trimestre de 2025, as reservas do Brasil investidas em ouro mais do que triplicaram na comparação entre janeiro deste ano e o mesmo mês de 2024, num salto de 225,42%. As reservas totais apresentaram variação de 2,62% em igual intervalo, num desempenho afetado pela atuação do Banco Central (BC) entre novembro de 2024 e janeiro do ano seguinte, quando o mercado de dólar aqui dentro sofreu forte ataque especulativo, obrigando a autoridade monetária a interferir no setor, injetando perto de US$ 34,760 bilhões, algo como 9,34% das reservas internacionais totais acumuladas até o final de setembro de 2024.

Medidas em dólares, as reservas estacionadas em ouro subiram de US$ 8,556 bilhões, em torno de 2,41% do volume total de dólares mantido pelo BC em moeda e ativos externos, então na faixa de US$ 355,066 bilhões, para US$ 27,843 bilhões. O ouro passou a responder, portanto, por 10,30% das reservas cambiais totais, numa elevação de 7,89 pontos percentuais.

Uma parcela daquele avanço veio sob a forma de uma aceleração nas compras do metal pelo BC, com seu volume avançando 33,0% entre julho e novembro, saindo de 129,654 para 172,336 toneladas, volume mantido em janeiro deste ano.

Desde julho do ano passado até janeiro deste ano, a cotação do ouro no mercado futuro internacional experimentou alta de 41,7% na média mensal. Vale dizer, parte relevante do aumento das reservas estacionadas em ouro deveu-se exclusivamente à valorização do metal nas bolsas internacionais – o que não anula as análises sugerindo uma mudança no perfil das reservas nos últimos anos, com perda discreta, mas constante, da fatia das reservas investidas em títulos (em sua maioria de emissão do Tesouro estadunidense). Os volumes do metal entesourados pelo BC vinham se mantendo naqueles mesmos níveis, ligeiramente abaixo de 130,0 mil toneladas, desde julho de 2021.

Escalada

Naquele mês de 2021, as compras de ouro chegaram a saltar 92,43% na comparação com abril do mesmo ano, quando os volumes do metal estavam ainda em torno de 67,370 toneladas e correspondiam a US$ 3,827 bilhões, algo como 1,09% das reservas totais. Em julho, a participação do ouro nas reservas avançou para 2,14%, com os valores elevados para US$ 7,596 bilhões diante de reservas totais na faixa de US$ 355,671 bilhões. As reservas cambiais direcionadas para títulos emitidos por governos, fundos e instituições multilaterais vieram perdendo espaço desde então, o que parece reafirmar o novo direcionamento adotado pelo BC.

Balanço

  • Numa avaliação de mais longo prazo, considerando o período entre abril de 2021 e janeiro deste ano, as reservas anotaram variação modesta de 3,81%, já que avançaram de US$ 350,996 bilhões para US$ 384,367 bilhões, correspondendo a um incremento absoluto de US$ 13,371 bilhões. É preciso recordar que aqueles valores haviam alcançado US$ 372,016 bilhões em setembro de 2024, caindo para US$ 328,303 bilhões em janeiro do ano seguinte, correspondendo a uma redução de US$ 43,713 bilhões ou 11,75% a menos.
  • Uma ampla parcela daquelas perdas, conforme anotado acima, foi causada pela especulação operada pelos mercados no final de 2024, o que fez o dólar disparar, num aumento de 14,6% entre 19 de setembro do mesmo ano e 2 de janeiro de 2025, atingindo perto de R$ 6,21 por dólar. Abrindo um parêntese, apenas a título de informação, a cotação do dólar em reais despencou 16,3% desde o primeiro mês do ano passado, fechando próximo de R$ 5,19 no fechamento de ontem, segundo dados do BC.
  • Ainda dentro do mesmo parêntese, a queda do dólar, de um lado, deve favorecer a política de redução da inflação, ao baratear os custos de bens e mercadorias importadas, trazendo influências baixistas igualmente para produtos exportados pelo País. Em outra vertente, no entanto, o barateamento das importações, ao estimular as compras externas, tende a penalizar setores produtivos nacionais, prejudicando a produção local e favorecendo a entrada de bens importados, afetando negativamente as políticas que buscam a reindustrialização do País. Parêntese final.
  • Retomando a análise original, como dito, as reservas totais tiveram um acréscimo de US$ 13,371 bilhões entre abril de 2021 e janeiro deste ano, numa variação explicada basicamente pelo crescimento das reservas em ouro. A posição dos títulos nas reservas totais correspondia, no início daquele período, a pouco mais de US$ 311,840 bilhões, algo como 88,84% do total de ativos mantidos nas reservas externas brasileiras.
  • Em janeiro deste ano, o total dos títulos somava alguma coisa ao redor de US$ 288,598 bilhões, com sua participação reduzida para 79,21% – uma posição ainda relevante, mas 9,63 pontos percentuais abaixo dos números de abril de 2021. Em dólares, houve uma redução de 7,45%. Pode parecer um percentual relativamente baixo, mas correspondeu a uma baixa de US$ 23,242 bilhões, o que parece de todo modo relevante.
  • O volume de ouro agregado às reservas cambiais aumentou quase 156% entre abril de 2021 e janeiro deste ano. Os preços médios do metal no período, no entanto, subiram 168,43%. O resultado foi um aumento de mais de sete vezes no tamanho das reservas cambiais revertidas em ouro. Em dólares, as reservas em ouro subiram US$ 24,016 bilhões naquele mesmo intervalo, saindo de apenas US$ 3,827 bilhões para US$ 27,843 bilhões, mais do que compensando a queda acumulada pelos títulos internacionais.

 

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