Se afastam sem provas um ministro, o que fazem com o homem comum?
As duas mulheres que denunciaram Marco Buzzi, integrante do Superior Tribunal de Justiça, devem ter apresentado provas ainda não divulgadas. Um dos efeitos desses documentos ou vídeos foi o afastamento do ministro por unanimidade. O STJ é chamado de Tribunal da Cidadania. Portanto, nada mais justo que se livre de um abusador ou assediador, enfim, qualquer autor de crimes, sobretudo contra a mulher. O problema é que essas provas não foram mostradas, pelo menos até agora.
Que Corte da Cidadania é essa que ejeta de seus quadros um acusado sem que evidências robustas completem os depoimentos? Ou alguém acusado perde a cidadania? Antes do afastamento, Buzzi já havia recebido a pena de morte de sua reputação, que para o magistrado é pior que um tiro de fuzil no meio da testa. Se ele for culpado, ótimo, já está morto mesmo… Se ele for inocente, melhor ainda, já foi assassinado mesmo… Não importa, o que vale é garantir a fofoca do momento.
Um grande perigo de massacrar um ministro é o exemplo descer para o homem comum. Duas moças podem acusar um pedreiro e levá-lo ao cadafalso sem apresentar prova alguma além dos próprios depoimentos. Se até um integrante do 2º tribunal mais importante da República foi para o sacrifício em nome da lacração, por que um trabalhador comum iria escapar? Ministros envolvidos em rolos financeiros estão fortes e ricos – e há provas dos rolos. Buzzi já era. Acabou. Anteontem foram os diretores da Escola Base. Ontem foi Buzzi. Quem será amanhã? Menos doloroso teria sido uma bala de fuzil entre os olhos. (Especial para O HOJE)