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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Indústria goiana recua em dezembro, mas encerra ano com avanço de 2,4%

Lauro Veiga Filhopor Lauro Veiga Filho em 11 de fevereiro de 2026

Não foi precisamente um final de ano a ser intensamente celebrado pela indústria, que não conseguiu sustentar os níveis recordes alcançados em outubro, quando as encomendas de final de ano haviam aquecido a produção. De todo modo, o setor encerrou 2025 no azul, superando a desempenho médio do conjunto da indústria no País, com crescimento de 2,4% frente a uma variação modesta de 0,6% registrada para todo o setor pela pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre a produção industrial. Nesse tipo de comparação, a indústria estadual ficou atrás apenas do Espírito Santo, do Rio de Janeiro e de Santa Catarina, que experimentaram ganhos, pela ordem, de 11,6%, 5,1% e 3,2%.

Os dois primeiros Estados, destaque absoluto na pesquisa da produção industrial regional, foram favorecidos especialmente pelo aumento na extração de petróleo bruto e ainda, no caso mais específico do Espírito Santo, pela produção de minério de ferro pelotizado, com o setor de fabricação de máquinas e equipamentos para a indústria petrolífera ajudando ainda a incrementar a produção industrial carioca. Num contraponto, o baixo desempenho do País na área industrial refletiu em grande medida a queda de 2,2% observada em São Paulo, com perdas principalmente para os setores de refino de derivados do petróleo e usinas de etanol.

Em Goiás, mais da metade do crescimento da produção deveu-se ao avanço de 3,1% na indústria de produtos alimentícios, que respondeu por 55,4% da taxa acumulada nos 12 meses do ano passado, sob impulso, de acordo com o IBGE, da maior produção de maionese, rações para animais, leite condensado e carne bovina fresca ou refrigerada. O incremento de quase 8,6% nos volumes de carne bovina exportada por Goiás no ano passado, a despeito do tarifaço imposto pelos Estados Unidos, ajudou a injetar fôlego no setor frigorífico.

A segunda maior contribuição para resultado anual da indústria estadual veio do setor de produtos químicos, com alta de 5,9% nos 12 meses do ano passado, puxada principalmente pelo aumento na produção de fertilizantes nitrogenados, fosfatados e potássicos, além de superfosfatos e fosfatos de monoamônio, com influência ainda da fabricação de preparados capilares.

A indústria de vestuário, com salto de 14,5%, aparece em terceiro lugar na contribuição para o avanço geral do setor industrial goiano, na relação do IBGE, sob liderança do setor de confecção de calças e camisas masculinas.

Desaceleração no final

Embora a indústria goiana tenha se mantido em terreno positivo, os dados dos últimos dois meses do ano passado, na série dessazonalizada (quer dizer, com desconto de fatores e eventos que se repetem na mesma época todos os anos), vieram negativos. Depois do salto de 7,9% anotado em outubro, a indústria devolveu com troco todo aquele ganho, operando uma queda de 8,4% em novembro. E votou a recuar 0,5% em dezembro, acumulando em dois meses perdas de 8,9%.

O dado trimestral, amplamente positivo, com alta de 4,4% nos três meses finais de 2025 frente ao quarto trimestre de 2024, foi enganoso, já que foi claramente puxado pelo ganho vigoroso observado em outubro. Naquele mês, a produção foi liderada pelos setores de alimentos, com avanço de 12,6% frente a outubro do ano anterior, biocombustíveis (num salto de 31,1%), máquinas e equipamentos (alta de 26,7%) e veículos (mais 10,1%).

Balanço

  • Na comparação com o mesmo mês de 2024, o desempenho igualmente perdeu fôlego, saindo de um salto próximo de 10,9% em outubro (influenciado pela alta de 12,6% na produção de alimentos e salto de 31,1% no setor de biocombustíveis), para 0,8% em novembro e apenas 0,1% em dezembro. Nessa comparação mensal, foi o nono mês com desempenho positivo, com variações positivas desde abril de 2025.
  • O dado de dezembro, no entanto, aponta perdas para oito (61,54%) entre 13 setores acompanhados pelo IBGE, com avanços para os cinco demais. A produção de biocombustíveis e de veículos desabou 39,5% e 32,9% em relação ao mesmo mês de 2024. Nos 12 meses do ano passado, a pesquisa anotou alta para sete setores (53,9%) e baixas para meia dúzia deles (46,1%).
  • Também ontem, 10, o IBGE divulgou os dados sobre o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de janeiro último, mostrando uma variação de 0,33% – praticamente repetindo o resultado de dezembro do ano passado, mas acima do IPCA-15 de janeiro, na faixa de 0,20% quando medidas as variações de preços entre a quinzena final de dezembro e as duas primeiras semanas do mês passado.
  • Na contabilidade do IBGE, um grupo de 10 itens respondeu por todo o IPCA de janeiro, com variação agregada ao redor de 0,39%. Isso significa que o restante dos preços experimentou ligeiro recuo de 0,06% sob influência principalmente da queda de 2,73% nos custos das tarifas de energia elétrica residencial e da redução de 8,90% nos preços médios das passagens aéreas. Com a exclusão daqueles dois itens (a saber, passagens e energia) do cálculo, a inflação residual avanço de 0,03% para 0,12%.
  • Uma fatia relevante do IPCA, algo em torno de 42,7%, deve ser contabilizada na conta dos produtos e serviços com preços monitorados – ou mais claramente, definidos por decisão do setor público e suas agências de regulação ou por meio de políticas públicas destinadas a impor moderação aos preços de setores sensíveis, a exemplo de medicamentos.
  • Quase um terço do IPCA de janeiro pode ser atribuído às altas de 0,52% nos preços do diesel para o consumidor e de 2,06% nos preços da gasolina. Neste último caso, os custos de abastecimento para os motoristas em geral tendem a experimentar algum recuo nas próximas medições, como resultado dos cortes definidos pela Petrobrás sobre os preços do combustível nas refinarias.
  • As revisões para baixo nos preços da gasolina, no entanto, têm demorado para chegar à ponta final do consumo, nos postos. Aparentemente porque a Petrobrás foi obrigada a desmontar um modelo de negócios que assegurava a integração desde o poço até a bomba, incluindo as etapas de exploração e extração de petróleo em bruto, refino e distribuição de combustíveis, a exemplo do que ocorre com as maiores petroleiras globais.

 

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