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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026
Saúde na folia

Coluna sofre no Carnaval e especialistas alertam para prevenção

Coluna é sobrecarregada por horas em pé, dança intensa e álcool; médico explica riscos e como evitar crises após a folia

Luana Avelarpor Luana Avelar em 11 de fevereiro de 2026
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Foto: iStock

O aumento das queixas de dor na coluna durante e após o Carnaval não é episódico. Estudos apontam crescimento de até 30% nos atendimentos médicos por dores nas costas em algumas regiões do país nesse período. A Organização Mundial da Saúde (OMS)  estima que 80% da população mundial já teve ou terá dor na coluna ao longo da vida, e a folia costuma funcionar como fator desencadeante de crises agudas.

No consultório, a procura por atendimento relacionada à coluna tende a se intensificar nos dias seguintes à festa. “No consultório, os quadros mais frequentes são lombalgia mecânica, contraturas musculares e piora de problemas discais que já existiam, muitas vezes desencadeados por horas em pé, excesso de caminhada, dança prolongada e fadiga física”, explica o neurocirurgião Túlio Rocha.

A dinâmica da folia impõe sobrecarga contínua à coluna. Permanecer longos períodos em pé, caminhar atrás de blocos e permanecer em ortostatismo aumenta a fadiga muscular e a compressão na região lombar. “O primeiro fator é permanecer muitas horas em pé ou caminhando atrás de blocos e desfiles. Esse tempo prolongado em ortostatismo – em pé – aumenta a fadiga muscular e a sobrecarga na região lombar, o que favorece quadros de lombalgia”, afirma.

A repetição de movimentos também compromete a estabilidade da coluna. “Muitas pessoas passam horas dançando sem preparo físico adequado, o que pode provocar estiramentos musculares, contraturas e exacerbação de dores já existentes na coluna”, diz o médico. Calçados inadequados e fantasias pesadas alteram o alinhamento corporal e ampliam a carga axial sobre os discos intervertebrais, elevando o risco de agravamento de lesões.

Coluna e sobrecarga biomecânica no Carnaval

A postura incorreta durante a dança, com inclinação anterior do tronco ou compensações assimétricas, amplia a pressão sobre discos e articulações vertebrais. “Inclinar o tronco para frente, compensar o peso do corpo de forma assimétrica ou dançar sem estabilização do core aumenta a pressão sobre discos e articulações vertebrais”, explica. A associação entre fadiga, privação de sono e consumo de álcool compromete o controle motor e eleva o risco de torções e quedas.

“Em termos biomecânicos, o que acontece no Carnaval é a associação de sobrecarga prolongada, impacto repetitivo e instabilidade postural, que pode resultar em lombalgia mecânica, contraturas musculares e agravamento de doenças discais pré-existentes”, esclarece.

Apesar do cenário, a proteção da coluna depende de medidas simples. “Em termos práticos, prevenção durante o Carnaval significa combinar preparo físico, proteção postural, pausas estratégicas e redução de sobrecargas desnecessárias sobre a coluna”, explica. O fortalecimento da musculatura abdominal e paravertebral, alongamentos prévios e escolha de calçados com amortecimento adequado reduzem o risco de dor na coluna.

Durante a festa, alternar períodos em pé com descanso e evitar acessórios pesados são estratégias recomendadas. A hidratação também é decisiva para preservar a integridade dos discos intervertebrais. “A hidratação adequada e pausas regulares ajudam a reduzir a fadiga muscular. Além disso, o consumo excessivo de álcool deve ser evitado, já que ele prejudica o equilíbrio e o controle motor, aumentando o risco de quedas e movimentos inadequados”, esclarece.

Nos casos em que a dor na coluna se instala, o tratamento inicial costuma ser conservador, com repouso relativo, correção postural e retorno gradual às atividades. Persistência do quadro ou sintomas neurológicos exigem investigação mais aprofundada para descartar lesões discais e outras alterações estruturais.

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O médico Túlio Rocha é neurocirurgião especialista em coluna. Foto: Divulgação

O médico Túlio Rocha é neurocirurgião especialista em coluna. Foto: divulgaçãoLeia mais: Furtos no Carnaval abrem caminho para golpes digitais

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