Wilder espera o aval de Bolsonaro para ter a ala ideológica do PL
A discreta mediação do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, sobre a queda de braços entre o deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO), que insiste em se aliar ao grupo do governador Ronaldo Caiado (PSD), se deve muito ao respeito e estima que ele tem pelo senador Wilder Morais, presidente do PL goiano. Esse respeito ficou evidenciado na reunião em Brasília, nesta terça-feira (10), com as presenças de 13 prefeitos do PL de Goiás, vereadores e os dois estaduais, Delegado Eduardo Prado e Major Araújo.
Essa reunião com Valdemar mostra que existe uma grande maioria que defende candidatura própria do partido. Sinaliza também que essa maioria pró-candidatura a governador está zangada com o movimento liderado por Gustavo Gayer, que advoga uma aliança com os governistas. O deputado estadual Delegado Eduardo Prado disse que “é cada vez maior o número de pessoas e lideranças no interior que defendem Wilder candidato”. “Todos estão contra essa ideia de excluir o partido da disputa para o Executivo. Entendem que não se trata de um ato de resistência contra o Gayer, mas a constatação que o PL é um partido grande e não precisa ser ‘escada’ para os adversários e, sim, protagonista”, pontua Eduardo Prado.
Na conversa com as lideranças do PL goiano, Valdemar deixou claro que tem um acordo com o ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele indica os candidatos ao Senado nos Estados e ele os candidatos a governador. “O meu candidato é o Wilder e não anunciei seu nome antes porque ele não quis”, sublinhou Valdemar. Aliados de Wilder ponderam que ele não quer só o lado político na sua candidatura, mas também o ideológico, ou seja, o aval de Bolsonaro. Esse sim é importante devido a Goiás ser, proporcionalmente, o Estado mais bolsonarista do País. Essa é a verdadeira causa da demora em bater o martelo de sua candidatura ao Governo de Goiás.
Prefeitos presentes à reunião
Estiveram presentes à reunião com Valdemar Costa Neto, além do senador Wilder, os prefeitos Geneilton Assis (Jataí), Paulo Trabalho (Posse), Dr. Osvaldo (Palmeiras de Goiás), Dr. Garibaldo Neto (Buriti Alegre), Dr. Antônio Marcos e o vice Welligton Gordinho (Avelinópolis), Desterro Santos (Britânia), Deni Santana (Damianópolis), Chico Vaca (Corumbá), Osélia Carvalho (Turvelândia), Maycllyn Carreiro (Morrinhos), Éder Lacerda (Mambaí), Douglas Sertório (Campo Alegre) e Marly do Valdineis (Portelândia).
Força política
Também participaram os deputados Eduardo Prado e Major Araújo, o ex-deputado estadual Lissauer Vieira, o pré-candidato a deputado federal Maycon Tombini, além dos vereadores Marcos Patrick (Jataí), Sebastião Honorato e Ney Ribeiro (Campo Alegre). O encontro reforça que Wilder não está isolado no comando do PL em Goiás e segue firme na articulação política e no projeto de disputar o Governo do Estado nas eleições de outubro.
MDB calcula rota
Ao contrário do que apregoam os militantes mais exaltados na base de Daniel Vilela (MDB), vozes sensatas no partido recalculam a rota do provável segundo turno. Caso estique muito a corda, pressionando os prefeitos do PL para aderir à base governista, vai que em um eventual segundo turno dá Marconi Perillo (PSDB) e Daniel Vilela (MDB). A tendência será Wilder, prefeitos e deputados eleitos pelo PL apoiarem Marconi. Por isso, os marqueteiros avaliam que Daniel não vai manter o debate na média civilizada.
Tempo de TV
Quando se fala em coligações, está em jogo o tempo de televisão. Se Lula (PT) depender apenas dos partidos de esquerda, seu bloco terá apenas 29% do horário eleitoral. O PL, isolado, já alcançaria perto de 24%. Enquanto MDB, PSD e União Progressista concentrariam os 40% restantes.
Ainda é forte
Apesar do crescimento das redes sociais nos últimos anos, 34% dos brasileiros ainda apontam a televisão como principal fonte de informação, segundo pesquisa Quaest. Em uma eleição tão polarizada, qualquer vantagem é fundamental.
Não é bem assim – A pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) não ‘empurrou’ o Centrão para o palanque de Lula (PT). Pelo contrário, ampliou o poder de barganha das siglas com o petismo e o bolsonarismo, por isso o PT quer compensar tendo o MDB na vice.