Ansiedade de separação afeta pets após mudanças na rotina
Retorno ao trabalho presencial e alterações no ambiente doméstico elevam casos em cães e gatos
A ansiedade de separação tornou-se uma das queixas comportamentais mais recorrentes em clínicas veterinárias desde a reorganização das rotinas familiares após a pandemia. O aumento do tempo de convivência entre tutores e animais domésticos, seguido pelo retorno ao trabalho presencial ou híbrido, desencadeou quadros de estresse em parte da população de cães e gatos.
A ansiedade de separação é caracterizada por respostas fisiológicas e comportamentais que surgem quando o tutor ou objeto de apego se ausenta. Cães tendem a ser mais suscetíveis, mas felinos também podem apresentar o transtorno, especialmente quando desenvolvem vínculo intenso com uma única pessoa da casa.
Estudos indicam que animais que vivem em lares com apenas um tutor apresentam risco maior de desenvolver o problema. Alterações bruscas de rotina, mudança de residência, introdução de novos animais, períodos prolongados de isolamento e histórico de abandono figuram entre os fatores associados à ansiedade de separação.

Ansiedade de separação e sinais clínicos
Os sinais são inespecíficos e exigem avaliação profissional. Entre as manifestações fisiológicas estão taquicardia, respiração acelerada, tremores, salivação excessiva, vômitos e diarreia. No campo comportamental, destacam-se vocalização intensa, micção e defecação fora do local habitual, agressividade, escavação, arranhaduras em móveis, redução de apetite e comportamentos repetitivos como lambedura excessiva.
A identificação precoce da ansiedade de separação depende da análise do histórico do animal, incluindo mudanças recentes na rotina, na alimentação ou no ambiente. A anamnese detalhada permite diferenciar o transtorno de outras condições clínicas ou comportamentais.
A prevenção envolve ajustes graduais na dinâmica doméstica. Recomenda-se evitar despedidas prolongadas ou demonstrações excessivamente efusivas ao sair de casa, pois esses comportamentos podem intensificar o pico de ansiedade do animal. A criação de rotina previsível, com passeios, brincadeiras e interação distribuída entre todos os moradores, reduz a dependência exclusiva de um tutor.
O enriquecimento ambiental é ferramenta central na prevenção da ansiedade de separação. Brinquedos interativos, estímulos sensoriais e desafios cognitivos mantêm o animal ocupado e favorecem comportamentos naturais da espécie. A adaptação gradual em mudanças de casa ou na introdução de novos integrantes — humanos ou animais — também contribui para estabilidade emocional.
Quando necessário, terapia comportamental e acompanhamento veterinário especializado podem incluir intervenções adicionais, como uso de fármacos ou fitoterápicos. O prognóstico costuma ser favorável quando as orientações são seguidas de forma consistente.

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