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terça-feira, 17 de fevereiro de 2026
SAÚDE & CIÊNCIA

Herpesvírus antigo revela 2,5 mil anos de evolução

Genomas do herpesvírus humano são reconstruídos a partir de esqueletos europeus e ampliam compreensão sobre a relação entre vírus e humanidade

Luana Avelarpor Luana Avelar em 17 de fevereiro de 2026
Herpesvírus
Foto: Control Lab

A presença do herpesvírus humano na história da humanidade ganhou um novo marco científico. Pesquisadores conseguiram, pela primeira vez, reconstruir genomas antigos do vírus a partir de restos mortais com mais de dois mil anos, ampliando a linha do tempo conhecida de sua circulação entre populações europeias.

O trabalho, divulgado na revista Science Advances, examinou cerca de quatro mil esqueletos provenientes de sítios arqueológicos distribuídos por diferentes regiões da Europa. Entre as amostras analisadas, 11 continham material genético suficiente para a reconstituição completa do vírus. O registro mais remoto pertence a uma jovem que viveu na Itália durante a Idade do Ferro, entre os séculos VIII e VI antes de Cristo.

Foram identificadas duas variantes do vírus — HHV-6A e HHV-6B — em indivíduos da Inglaterra, Bélgica e Estônia do período medieval. Já o subtipo HHV-6B também apareceu em vestígios da Itália e da Rússia. A investigação foi conduzida por universidades da Áustria e da Estônia, com participação de centros britânicos de pesquisa.

Evolução do herpesvírus humano ao longo dos séculos

O herpesvírus humano é hoje amplamente disseminado: estima-se que a maioria da população mundial seja infectada ao longo da vida. Contudo, apenas uma pequena parcela, cerca de 1%, apresenta o vírus incorporado ao próprio DNA, herdado de gerações anteriores. Essa característica genética foi determinante para que os cientistas conseguissem localizar o patógeno em material antigo.

A análise detalhada dos genomas permitiu mapear os pontos exatos de integração do vírus nos cromossomos humanos. Ao comparar essas sequências com dados atuais, os pesquisadores concluíram que algumas dessas inserções ocorreram há milênios e permaneceram sendo transmitidas dentro de linhagens familiares.

Os resultados indicam ainda que o HHV-6A pode ter passado por mudanças evolutivas que reduziram sua capacidade de integração ao genoma humano. A trajetória do herpesvírus humano, portanto, não foi estática: diferentes variantes parecem ter seguido caminhos próprios ao longo do tempo.

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