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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Apesar do recuo da informalidade, emprego sem carteira salta 37,5%

Lauro Veiga Filhopor Lauro Veiga Filho em 19 de fevereiro de 2026

A taxa de informalidade estimada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) recuo de 38,3% para 37,58% entre o quarto trimestre de 2015 e igual período do ano passado, enquanto o total de trabalhadores informais em toda a economia apresentou variação de 10,35% ao passar de 35,078 milhões para 38,707 milhões, resultando em um acréscimo ao redor de 3,629 milhões naqueles 10 anos. A redução da taxa resultou de um avanço muito mais expressivo observado para o total de pessoas ocupadas no País, conforme dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC).

O número de ocupados cresceu de 91,585 milhões para um recorde de 102,998 milhões ao final de 2025, significando a entrada no mercado de trabalho de 11,413 milhões de trabalhadores antes desocupados ou que passaram a integrar a força de trabalho ao completar 14 anos. No mesmo período, as ocupações sem carteira nos setores público e privado aumentaram 37,54% e sua contribuição para o avanço geral do emprego variou ao redor de 41%, o que sugere uma nova perspectiva para analisar a evolução da informalidade no País.

Como se pode perceber, o avanço no número de informais respondeu por 31,80% das novas ocupações geradas pelo mercado de trabalho desde 2015. O grosso desse incremento veio do aumento de 12,22% anotado pelo total de trabalhadores formais, que avançou de 54,275 milhões para 60,908 milhões, correspondendo à entrada de mais 6,633 milhões de trabalhadores nessa categoria, ou seja, 58,12% das novas ocupações abertas naquele período.

A soma daqueles dois contingentes de trabalhadores, a saber, formais e informais, como parece evidente, não contempla o total das ocupações geradas no período. Isso porque a aproximação feita pelo IBGE para calcular a informalidade considera empregados do setor privado sem carteira, empregados domésticos também sem carteira assinada, além de ocupados por conta própria e empregadores sem registro no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), assim como aquelas pessoas que se dedicam ao trabalho familiar auxiliar. Mas deixa de fora os trabalhadores sem carteira do setor público, que saíram de 2,232 milhões nos três meses finais de 2015 para 3,383 milhões no quarto trimestre de 2025, num salto de 51,6% (algo próximo a 1,151 milhão a mais).

Mito desmentido

Os empregados sem carteira passaram a representar 26,0% do total de pessoas ocupadas no setor público, diante de 20,34% em 2015, mas responderam por 56,6% de todo o crescimento da ocupação nesta área. Para comparar, o setor público elevou o total de empregados de 10,972 milhões para 13,004 milhões, numa variação de 18,52% ou perto de 2,032 milhões de novas contratações (ao redor de 17,80% de todos os empregos criados adicionalmente pelo mercado em 10 anos). A participação do setor público no total de ocupações manteve-se relativamente baixo, saindo de 11,98% no quarto trimestre de 2015 para 12,63% em igual período do ano passado, o que se compara com a média de 23,48% registrada para os países membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), variando entre 13,56% e 15,20% nos Estados Unidos, perto de 16,4% no Reino Unido e algo entre 12% e 15% na Alemanha. Os dados desmentem o “mito” do peso excessivo do setor público na ocupação em geral no Brasil.

Balanço

  • O setor privado não apenas continuou a concentrar a maior participação e o número mais elevado de empregados, como foi responsável por quase 60% do crescimento anotado para o total das ocupações no período analisado. O número de empregados no setor saiu de 46,150 milhões, em torno de 50,39% do total de ocupados, para 52,974 milhões, representando 51,43% dos ocupados.
  • Na comparação entre os dois períodos, o número de empregados no setor privado aumentou 14,79% desde o final de 2015, com abertura de 6,824 milhões de vagas. Entre outros pontos, a PNADC mostra que pouco mais da metade do crescimento das ocupações no setor privado veio da contratação de empregados sem carteira, que avançaram de 10,090 milhões para 13,565 milhões, em alta de 34,4% naquele mesmo período.
  • Isso significou a criação de 3,745 milhões de ocupações informais no setor – quer dizer, a cada 100 empregados contratados pelo setor privado naqueles 10 anos, praticamente 51 deles não tiveram sua carteira assinada. De forma ainda mais precisa, aquela relação chegou a 50,92% para aqueles que exigem a exatidão do “depois da vírgula”.
  • Somados, o total de empregados sem carteira nos setores público e privado subiu de 12,322 milhões no quarto trimestre de 2015 para 16,948 milhões nos três meses finais do ano passado, num salto de 37,54%. A variação correspondeu à contratação de 4,626 milhões de trabalhadores sem qualquer forma de proteção social, vale dizer, sem direito a 13º salário, férias, Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e Previdência. As duas categorias, somadas, responderam por 40,53% do aumento acumulado pelo total de ocupações na década encerrada no quarto trimestre do ano passado.
  • A queda na taxa de informalidade, embora indique uma melhora nos indicadores de qualidade no mercado de trabalho, deve ser contextualizada considerando os dados acima. O número proporcionalmente mais baixo de informais veio influenciado pelo tombo de 47,06% no número de ocupados em trabalho familiar, que encolheu de 2,248 milhões para 1,190 milhão, qualquer coisa como 1,058 milhão a menos. Assim como da variação relativamente menos intensa no total de ocupados por conta própria e empregadores sem CNPJ.
  • A primeira categoria mostrou variação de 5,27% em 10 anos, evoluindo de 18,016 milhões para 18,966 milhões de ocupados por conta própria sem registro no CNPJ, com 950,0 mil trabalhadores a mais. Sua participação no total de ocupados recuou de 19,67% para 18,41%.
  • Os empregadores sem CNPJ cresceram de forma mais intensa, num incremento 19,76%. Mas sua fatia no total de ocupados manteve-se muito baixa, oscilando entre 0,71% no final de 2015 e 0,77% no quarto trimestre de 2025. Em valores absolutos, aquele total passou de 658,0 mil para 788,0 mil, algo ao redor de 130,0 mil a mais, numa contribuição de 1,14% para o crescimento das ocupações totais.

 

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