Estudo questiona eficácia do jejum intermitente
Análise da Cochrane indica que método não supera dieta convencional na perda de peso
A ideia de que o jejum intermitente seria superior às dietas tradicionais para emagrecimento não encontra respaldo sólido nas evidências científicas atuais. É o que aponta uma revisão publicada na Cochrane Database of Systematic Reviews, que avaliou 22 estudos clínicos envolvendo quase 2.000 adultos com sobrepeso ou obesidade.
A análise comparou diferentes protocolos de jejum intermitente com orientações nutricionais convencionais, baseadas na redução calórica e na melhora da qualidade alimentar, além de cenários sem intervenção específica. O acompanhamento considerou intervenções com duração de até 12 meses.
A conclusão foi direta: o jejum intermitente pode fazer pouca ou nenhuma diferença na perda de peso e na qualidade de vida quando comparado às recomendações padrão.
Evidências sobre jejum intermitente
O jejum intermitente ganhou popularidade sobretudo nas redes sociais e apresenta formatos variados. Há modelos que limitam a alimentação a janelas específicas do dia, outros que alternam dias de ingestão habitual com dias de consumo bastante reduzido e a chamada dieta 5:2, que prevê restrição significativa de calorias em dois dias não consecutivos da semana.
Apesar da adesão crescente, a revisão identificou limitações importantes nos estudos disponíveis. Muitos incluíam amostras pequenas e não adotavam desenhos metodológicos considerados mais robustos, o que compromete a força estatística dos resultados e sua aplicabilidade a diferentes populações.
O trabalho também destaca a ausência de evidências consistentes sobre possíveis benefícios adicionais do jejum intermitente em parâmetros metabólicos ou em doenças associadas, como o diabetes tipo 2. Faltam ainda dados detalhados que considerem diferenças entre sexos, faixas de índice de massa corporal e contextos geográficos.
Diante desse quadro, especialistas reforçam que estratégias de perda de peso devem priorizar intervenções individualizadas e sustentáveis, fundamentadas em evidências consolidadas, em vez de promessas de eficácia superior associadas a métodos específicos.
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