Brasil amplia compra de vinhos estrangeiros com cadeia bilionária do setor
Importação de vinhos cresce 20% em dois anos e movimenta US$ 561 milhões no Brasil
O Brasil vive um momento de expansão no mercado de vinhos importados. Dados oficiais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) mostram que o valor total gasto pelo país na compra de vinhos estrangeiros subiu de US$ 468,1 milhões em 2023 para US$ 561,2 milhões em 2025, um aumento de cerca de 20% em dois anos. No mesmo período, o volume importado passou de 145,4 milhões de quilos para 166,5 milhões kg, uma alta de aproximadamente 14,5%, o que representa um consumo estimado de 3 litros por adulto ao ano em média.
Essa trajetória crescente vai além de números absolutos: ela espelha uma mudança no comportamento do brasileiro, que, cada vez mais, incorpora o vinho ao cotidiano, diversifica sua preferência por tipos e origens e dispensa parte do tradicional estigma de produto reservado a ocasiões especiais.
América do Sul lidera, Europa avança e novos players ganham espaço
O mapa de origens dos vinhos importados revela a predominância histórica da América do Sul, com destaque para Chile e Argentina. Em 2025, o Chile se manteve como o principal fornecedor, respondendo por cerca de 38% do total importado, com um valor estimado em US$ 213 milhões, seguido pela Argentina com US$ 101,4 milhões.
No cenário europeu, Portugal se destaca como o maior exportador para o Brasil, com cerca de US$ 84,4 milhões em 2025, seguido por franceses e italianos, que também registraram crescimento expressivo. A Itália, em particular, vem reforçando sua presença no mercado brasileiro com vinhos de maior valor agregado e forte apelo de qualidade.
Esse movimento mostra que, embora os países vizinhos continuem dominando em volume e valor, há espaço crescente para a diversidade de origens, inclusive de mercados tradicionalmente associados ao segmento premium.

Consumidor brasileiro mais exigente e paladar em evolução
Especialistas do setor explicam que o crescimento nas importações não se deve apenas ao aumento do volume consumido, mas também à mudança no perfil do consumidor brasileiro. Há uma expansão do público, com destaque para mulheres (que já representam mais da metade dos consumidores) e faixas etárias como a dos 55 aos 64 anos, que vêm adotando o vinho como parte da rotina de consumo.
Além disso, há uma tendência clara de premiumização: consumidores procuram rótulos com identidade regional, maior complexidade e origem definida, deixando de lado a competição exclusivamente por preço. Isso explica não só a diversificação de fornecedores, mas também o crescimento em importações de vinhos europeus de maior preço médio.
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Mais do que números: o impacto econômico e logístico
O auge das importações tem impactos diretos na economia e na logística. A cadeia que conecta portos brasileiros — como o de Santos (SP) — às rotas marítimas mundiais tem sido pressionada a aumentar eficiência e segurança no transporte para evitar perdas e conformidade com padrões técnicos e sanitários.
Ao mesmo tempo, a presença crescente de importadores brasileiros no cenário global tem atraído mais atenção internacional para o país. Feiras e eventos como o ProWine São Paulo reforçam a posição do Brasil como mercado estratégico para vinícolas internacionais, incentivando negociações diretas e geração de negócios.

Desafios futuros e o ambiente competitivo
Apesar do crescimento, o setor enfrenta desafios estruturais que podem impactar a trajetória das importações. A oscilação cambial, os custos logísticos elevadas, e as altas tarifas de importação fazem com que importadores equilibrem preço e margem com cautela. A pressão tributária também figura como ponto de atenção, já que impostos sobre bebidas alcoólicas influenciam no preço final ao consumidor e podem limitar o poder de compra em alguns segmentos.
Ainda assim, analistas de mercado projetam que o Brasil continuará sendo um destino-chave para vinhos importados, sobretudo à medida que a cultura do vinho se solidifica, o portfólio de rótulos disponíveis se expande, e novas faixas de consumidores encontram no vinho uma bebida para consumo regular e apreciativo.