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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026
Inusitado

Eleições na Colômbia terão candidata gerada por IA para vaga no Congresso

Conselho Eleitoral permite participação com representantes humanos no lugar da IA

Otavio Augustopor Otavio Augusto em 20 de fevereiro de 2026
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Foto: Divulgação

A Colômbia autorizou a participação de uma candidatura representada por inteligência artificial nas eleições legislativas do país. A iniciativa é conduzida pela plataforma Gaitana IA, que disputa simultaneamente vagas no Senado e na Câmara de Representantes. O objetivo é representar a Circunscrição Especial Indígena no Congresso colombiano.

A proposta foi idealizada por Carlos Redondo, integrante da comunidade Zenú. A inteligência artificial é apresentada nas redes sociais como uma mulher indígena com aparência digital, voz sintetizada e pele azul. Segundo o criador, o projeto busca traduzir para o ambiente digital princípios de organização comunitária.

Colômbia
Foto: Divulgação

Autorização e modelo jurídico

A legislação colombiana não permite o registro formal de uma inteligência artificial como candidata. Portanto, o Conselho Nacional Eleitoral autorizou uma alternativa. Dois representantes humanos serão oficialmente registrados como candidatos. Caso eleitos, deverão seguir as decisões definidas pela plataforma.

Ou seja, a IA não ocupará diretamente as cadeiras no Congresso. Entretanto, os parlamentares eleitos assumem o compromisso de votar de acordo com os resultados obtidos nas consultas digitais promovidas pela Gaitana IA. Dessa forma, a estrutura busca adaptar o modelo tecnológico às exigências legais vigentes.

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Foto: Divulgação

Funcionamento da plataforma

De acordo com Carlos Redondo, o sistema opera de maneira participativa. Usuários enviam temas para debate. Em seguida, a inteligência artificial organiza e sintetiza as informações. Posteriormente, o conteúdo é compartilhado com os integrantes da comunidade digital.

Segundo o criador, a plataforma reúne mais de 10 mil participantes, entre indígenas e afrodescendentes. Quando um projeto de lei entra em pauta, a IA resume o conteúdo e o apresenta em formatos simplificados, como infográficos. A comunidade então opina sobre o tema.

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A decisão final ocorre por maioria simples. O lado que obtiver 50% mais um dos votos digitais define a posição que os representantes humanos deverão adotar no Legislativo.

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Foto: Divulgação

Proposta e críticas ao modelo tradicional na Colômbia

Carlos Redondo afirma que o projeto surge como alternativa ao modelo político tradicional. Ele argumenta que a plataforma pode reduzir custos operacionais e dispensar estruturas administrativas amplas normalmente associadas ao mandato parlamentar.

Ao mesmo tempo, o criador reconhece limitações. Entre elas, estão desafios relacionados à segurança de dados e à capacidade de administrar grande volume de opiniões divergentes. Além disso, admite que a adesão eleitoral ainda é incerta.

Pesquisas indicam que parte do apoio ao projeto vem de eleitores jovens. No entanto, levantamentos apontam que apenas cerca de um terço dos eleitores com menos de 24 anos manifesta intenção de votar nas eleições legislativas.

Por fim, a candidatura representada por inteligência artificial amplia o debate sobre o uso de tecnologia na política. A experiência colombiana passa a ser observada como um teste de novos formatos de participação digital em processos legislativos.

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