Polilaminina expõe debate sobre ciência e regulação
Editorial alerta para riscos de uso precoce da polilaminina fora de protocolos
A discussão em torno da polilaminina, proteína desenvolvida para estimular a regeneração de lesões medulares, ultrapassou os limites acadêmicos e alcançou tribunais e redes sociais. Diante da repercussão, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e a Academia Brasileira de Ciências publicaram editorial conjunto defendendo que o debate sobre a substância permaneça nos fóruns técnicos adequados, com revisão por pares e transparência.
A polilaminina está em fase de testes de segurança na Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Ainda assim, relatos isolados passaram a circular como evidências de eficácia, enquanto decisões judiciais autorizaram aplicações fora dos protocolos de pesquisa. Segundo as entidades científicas, esse movimento representa risco sanitário, pois a relação entre benefícios e eventuais efeitos adversos ainda não foi plenamente estabelecida.
Polilaminina e o percurso científico
O editorial ressalta que, em áreas como a neuroregeneração, o caminho entre pesquisa básica e aplicação clínica é necessariamente longo e dependente de validação pré-clínica e clínica. Terapias avançadas exigem comprovação rigorosa, regulação sanitária e avaliação sistemática, incompatíveis com soluções imediatas ou expectativas antecipadas.
Nos últimos dias, três pessoas que receberam aplicações da polilaminina por ordem judicial morreram. O laboratório Cristália, responsável pela produção da substância e mantenedor da pesquisa, afirmou que não há relação comprovada entre os óbitos e a proteína.
O texto também destaca desafios estruturais no país, como a gestão de propriedade intelectual. Houve perda anterior de patente internacional por falta de pagamento de taxas, situação atribuída a cortes orçamentários que afetaram instituições públicas. Posteriormente, foram solicitadas novas patentes nacional e internacional, ambas com vigência de 20 anos.
Para as entidades, o caso da polilaminina deve ser analisado menos sob perspectiva individual e mais como um teste institucional do sistema nacional de ciência, tecnologia e inovação. A repercussão pública evidenciou ainda dificuldades na comunicação científica, especialmente quando pesquisas em estágio inicial envolvem doenças graves.
Ao mesmo tempo em que reconhece a capacidade instalada nas universidades brasileiras, o editorial aponta fragilidades na validação clínica, na articulação entre ciência e regulação e na consolidação de estratégias robustas de inovação. A discussão sobre a polilaminina, segundo as entidades, reforça a necessidade de políticas de Estado orientadas à transparência, responsabilidade científica e amadurecimento do debate público.
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