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terça-feira, 24 de fevereiro de 2026
Saúde

Esforço extremo altera estrutura celular e aumenta estresse oxidativo em atletas

Os cientistas coletaram amostras de sangue antes e após as competições dos atletas

Leticia Mariellepor Leticia Marielle em 24 de fevereiro de 2026
atletas
Esforço extremo altera estrutura celular e aumenta estresse oxidativo em atletas. | Foto: Reprodução/freepik

Competições de resistência extrema, como ultramaratonas, podem provocar alterações estruturais e moleculares nos glóbulos vermelhos, células responsáveis pelo transporte de oxigênio e pela remoção de resíduos do organismo. A constatação está em um estudo divulgado pela Sociedade Americana de Hematologia, na revista científica Blood Red Cells & Iron.

Essas células percorrem todo o sistema circulatório em cerca de um minuto, garantindo oxigenação contínua aos tecidos. O corpo humano produz aproximadamente 2 milhões de novos glóbulos vermelhos a cada segundo, processo que se torna ainda mais exigido durante atividades de alta intensidade e longa duração.

A pesquisa acompanhou 23 corredores que participaram de duas provas internacionais: a Martigny-Combes à Chamonix, com 40 quilômetros de percurso, e a Ultra Trail de Mont Blanc, que soma 171 quilômetros.

Os cientistas coletaram amostras de sangue antes e após as competições e analisaram milhares de proteínas, lipídios, metabólitos e oligoelementos presentes no plasma e nos glóbulos vermelhos. O objetivo foi identificar possíveis impactos do esforço prolongado nas células sanguíneas.

Os exames laboratoriais revelaram que os glóbulos vermelhos sofreram danos mecânicos e moleculares após as provas de resistência. As alterações mecânicas estão ligadas ao estresse físico imposto pela circulação acelerada do sangue durante a corrida, que expõe as células a variações de pressão e deformações repetidas ao atravessarem vasos estreitos.

Já os danos moleculares envolvem modificações químicas associadas à inflamação e ao estresse oxidativo, fenômeno em que moléculas instáveis afetam proteínas e a membrana celular. As mudanças foram identificadas logo após a prova de 40 quilômetros e se intensificaram entre os atletas que completaram os 171 quilômetros.

De acordo com os autores, os achados indicam que, quanto maior a distância percorrida, maior tende a ser a destruição de glóbulos vermelhos e o acúmulo de lesões nas células que permanecem na corrente sanguínea.

Ainda não está claro, porém, quanto tempo o organismo leva para reparar os danos, se os efeitos persistem no longo prazo ou qual é o impacto clínico dessas alterações. O estudo também reconhece limitações, como o número reduzido de participantes, 23 atletas, e a realização das análises em apenas dois momentos, antes e depois das competições.

Os pesquisadores afirmam que o objetivo não é desencorajar a prática esportiva, mas ampliar a compreensão sobre os efeitos do esforço extremo. A partir desses dados, a expectativa é desenvolver estratégias que reduzam os impactos do exercício prolongado, como ajustes no treinamento, intervenções nutricionais e protocolos de recuperação mais eficientes.

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