CNDH aponta avanço do discurso de ódio em Goiás e cobra respostas do poder público
A missão integra um diagnóstico nacional e deve resultar em recomendações de políticas públicas para enfrentar violações que atingem minorias e colocam a democracia em risco
Em audiência pública realizada nesta quarta-feira (25), em Goiânia, o Conselho Nacional dos Direitos Humanos ouviu denúncias sobre o crescimento do discurso de ódio, do extremismo e do neonazismo em Goiás. A missão integra um diagnóstico nacional e deve resultar em recomendações de políticas públicas para enfrentar violações que atingem minorias e colocam a democracia em risco.
A presença do Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH) em Goiás marcou um momento inédito no estado. Pela primeira vez, o principal órgão federal de promoção e defesa dos direitos humanos realizou uma missão oficial para ouvir diretamente a sociedade civil sobre denúncias de discurso de ódio, extremismo e neonazismo.
O relator especial do tema, Carlos Recodemos, explicou que o trabalho desenvolvido em Goiás está inserido em um cenário internacional. “O relatório do CNDH vai trazer um conjunto de recomendações para o reposicionamento de políticas públicas, porque esse é um tema que a ONU tem debatido e que hoje afeta não só grupos em situação de vulnerabilidade, mas a própria democracia”, afirmou. Segundo ele, em Goiás chamou atenção o crescimento de episódios ligados à intolerância religiosa, especialmente contra religiões de matriz africana.
Violência estrutural e alerta institucional em Goiás
Para o vereador Fabrício Rosa (PT), ouvidor especial de Combate a Crimes Raciais e de Intolerância da Câmara Municipal de Goiânia, a audiência escancarou uma realidade persistente no estado. “Goiás não é um estado seguro para mulheres, população negra, povos de terreiro e para a comunidade LGBT. Os números de violência cresceram de forma alarmante e isso precisa ser enfrentado com seriedade”, declarou.
Fabrício Rosa também ressaltou que Goiás lidera hoje os registros nacionais de trabalho análogo à escravidão e aparece entre os estados com maior incidência de tráfico de mulheres. Para ele, a visita do CNDH transforma denúncias locais em registros oficiais capazes de gerar responsabilização institucional. “É a primeira vez que o Conselho vem oficialmente a Goiás, e isso dá visibilidade nacional e internacional às violações que ocorrem aqui”, completou.

A coordenadora da Ouvidoria Especial de Combate a Crimes Sociais e de Intolerância da Câmara, Nádia Garcia, destacou que o extremismo deixou de ser um fenômeno oculto. “Hoje a intolerância sai às ruas. É um nazismo do novo tempo, que ataca todas as minorias de forma explícita, e Goiás tem registrado muitos casos ligados ao racismo, à LGBTfobia e à intolerância religiosa”, afirmou.
Segundo Nádia, a escolha de Goiás como sede da missão do CNDH no Centro-Oeste é um sinal claro de que o problema exige resposta imediata. “A presença do Conselho aqui mostra que esses crimes não serão mais tolerados nem ficarão escondidos. Eles precisam ser investigados e enfrentados”, disse.
Ao final da missão, o CNDH deve consolidar um relatório nacional com recomendações ao poder público. O documento deve reconhecer avanços institucionais, mas também apontar que as respostas do Estado ainda precisam ser fortalecidas diante da gravidade das violações registradas em Goiás.
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