Morte de James Van Der Beek reacende alerta sobre câncer colorretal
Pesquisa divulgada no JAMA indica que o câncer colorretal se tornou a principal causa de morte por câncer entre indivíduos com menos de 50 anos nos Estados Unidos
A morte do ator James Van Der Beek reacendeu o debate sobre o avanço do câncer colorretal entre pessoas com menos de 50 anos. Conhecido pelo papel na série Dawson’s Creek, o artista morreu aos 48 anos em decorrência da doença, que atinge o cólon e o reto.
O caso se soma ao do ator Chadwick Boseman, protagonista de Pantera Negra, que morreu em 2020, aos 43 anos, também vítima de câncer colorretal. As duas mortes deram visibilidade a uma tendência que preocupa especialistas.
Estudo publicado no Journal of the National Cancer Institute aponta que pessoas nascidas na década de 1990 têm até quatro vezes mais risco de desenvolver a doença do que aquelas nascidas nos anos 1960. Já pesquisa divulgada no JAMA indica que o câncer colorretal se tornou a principal causa de morte por câncer entre indivíduos com menos de 50 anos nos Estados Unidos.
Apesar do crescimento proporcional, especialistas ressaltam que a maioria dos casos ainda ocorre em pessoas mais velhas. Dados apresentados por pesquisadores da Queen’s University Belfast mostram que cerca de 6% dos diagnósticos atingem pacientes abaixo dos 50 anos. Entre os mais velhos, as taxas têm se estabilizado ou até diminuído em algumas regiões, reflexo da ampliação dos programas de rastreamento.
Um dos problemas, segundo oncologistas, é que adultos mais jovens tendem a procurar menos exames preventivos, o que contribui para diagnósticos em estágios mais avançados.
Causas ainda indefinidas
Fatores como obesidade, alimentação rica em ultraprocessados, sedentarismo, consumo de álcool e tabagismo são apontados como possíveis contribuintes. No entanto, especialistas afirmam que esses elementos não explicam totalmente o aumento observado em um intervalo relativamente curto de tempo.
Diante das incertezas, pesquisadores investigam novas hipóteses, incluindo alterações na microbiota intestinal, o conjunto de microrganismos que vivem no intestino e exercem influência sobre o metabolismo e o sistema imunológico. Ainda não há consenso científico sobre o que está por trás da elevação dos casos entre as gerações mais jovens.
Enquanto as pesquisas avançam, médicos reforçam a importância de atenção a sintomas como alterações persistentes no hábito intestinal, presença de sangue nas fezes e dores abdominais frequentes, além da necessidade de avaliação médica diante de qualquer sinal de alerta, independentemente da idade.
Estudos reforçam importância de rastreamento antes dos 50 anos
Pesquisas recentes têm ampliado o debate sobre a necessidade de antecipar exames para detecção do câncer colorretal. Um estudo publicado na revista científica Nature identificou que mutações no DNA associadas à toxina colibactina, produzida por determinadas cepas da bactéria E. coli, são mais frequentes em pacientes jovens diagnosticados com a doença do que em pessoas mais velhas. Para especialistas, a descoberta representa um indício relevante, embora ainda demande novas investigações.
Outras análises científicas também apontam possível relação entre o uso repetido de antibióticos e o desenvolvimento precoce do câncer colorretal. A diversidade de subtipos da doença, no entanto, indica que não há uma causa única para explicar o aumento de casos em adultos abaixo dos 50 anos.