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segunda-feira, 2 de março de 2026
SAÚDE E ALIMENTAÇÃO

Air fryer: riscos e benefícios do aparelho popular

Estudos indicam formação de acrilamida, mas redução de gordura é expressiva

Luana Avelarpor Luana Avelar em 2 de março de 2026
Air fryer
Foto: iStock

A air fryer deixou de ser promessa tecnológica para se tornar presença constante nas cozinhas brasileiras. Dados das Pesquisas do Ano 2025, divulgadas pelo Google, mostram que seis dos dez termos mais buscados na categoria receitas envolvem preparos feitos na air fryer. Batata frita, bolo e pudim lideram o interesse.

A popularização da air fryer, porém, trouxe questionamentos sobre possíveis riscos à saúde. A comparação com o micro-ondas, alvo de suspeitas no passado, reapareceu nas redes sociais. Não há evidência de que a air fryer seja cancerígena. O ponto de atenção não está no equipamento, mas na reação de certos alimentos ao calor intenso.

Air fryer e formação de acrilamida

Alimentos ricos em amido, como batatas e pães, podem formar acrilamida quando submetidos a temperaturas superiores a 120 °C por longos períodos. A substância resulta da reação entre açúcares e aminoácidos durante o aquecimento. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária informa que o composto demonstrou potencial carcinogênico em estudos com animais e recomenda moderação no consumo.

Estudo publicado na revista Frontiers in Nutrition comparou a formação de acrilamida em batatas preparadas por imersão em óleo, forno convencional e air fryer. O método com air fryer apresentou níveis mais altos, possivelmente porque o ar interno pode atingir cerca de 229 °C, enquanto o óleo chegou a aproximadamente 190 °C. Ainda assim, a diferença entre os métodos não foi considerada estatisticamente significativa.

Especialistas apontam que o controle de temperatura e tempo reduz o risco. Manter a faixa entre 160 °C e 180 °C e evitar escurecimento excessivo são medidas recomendadas. No caso das batatas, deixá-las de molho por dez minutos antes do preparo reduziu a formação de acrilamida em todos os métodos analisados.

Air fryer reduz gordura, mas não corrige ultraprocessados

Do ponto de vista calórico, a air fryer apresenta vantagem relevante. Alimentos fritos por imersão absorvem gordura, elevando o teor energético. A redução pode chegar a 80% em comparação ao método tradicional. Em 100 gramas de batata frita por imersão, a gordura varia entre 15 e 20 gramas. Na versão feita na air fryer, mesmo com pequena adição de azeite, o valor costuma ficar abaixo de 5 gramas.

O aparelho, contudo, não altera a composição original de produtos ultraprocessados. Nuggets e batatas congeladas pré-fritas já contêm gordura vegetal, sódio e conservantes. A air fryer apenas aquece esses componentes.

A manutenção também influencia a segurança. Cestos com revestimento danificado podem liberar partículas indesejáveis. O acúmulo de resíduos gordurosos, quando reaquecido repetidamente, favorece a formação de compostos tóxicos. A higienização após cada uso é recomendada.

Quando o critério é preservação de nutrientes, métodos como o vapor mantêm vantagem, especialmente para vitaminas hidrossolúveis como vitamina C e complexo B. A exposição ao ar quente pode acelerar a degradação térmica.

A air fryer não representa ameaça inerente nem solução nutricional definitiva. Seu impacto depende da escolha dos alimentos, do controle térmico e do uso adequado. Inserida em rotina equilibrada, pode reduzir o consumo de gordura sem eliminar a necessidade de atenção à qualidade da dieta.

Leia mais: Uso de Air fryer pode trazer risco para saúde? Entenda
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