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quarta-feira, 4 de março de 2026
mesa-redonda

Filha de Eliane de Grammont lidera debate sobre feminicídio em Goiânia e estudo revela risco quatro vezes maior de morte entre vítimas de violência

Ativista Lili de Grammont, cuja mãe foi morta pelo ex-marido durante um show em 1981, participa de debate no TJGO sobre prevenção ao feminicídio

Micael Mourapor Micael Moura em 4 de março de 2026
cantora
Foto: Reprodução

A ativista Lili de Grammont, filha da cantora Eliane de Grammont — assassinada durante um show em 1981 — estará em Goiânia na próxima segunda-feira (9/3) para participar da abertura da 32ª Semana da Justiça Pela Paz em Casa, no Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO). O evento está marcado para as 8h30.

Lili, que transformou a própria história em militância no combate à violência contra a mulher, participará de uma mesa-redonda com o tema “O Feminicídio e os Desafios na Prevenção: O que Falta para Impedir que Mais Mulheres Sejam Vítimas?”. O debate também contará com a participação da psicóloga Ionara Vieira Moura Rabelo e da juíza Simone Pedra Reis, 1ª vice-coordenadora da Coordenadoria da Mulher do TJGO.

O caso de Eliane de Grammont teve grande repercussão nacional. A cantora foi morta em 1981 pelo ex-marido, o cantor goiano Lindomar Castilho, que efetuou vários disparos de arma de fogo durante uma apresentação dela em um bar, em São Paulo. Pelo crime, ele foi condenado a 12 anos de prisão, deixando o sistema prisional na década de 1990 após cumprir parte da pena.

Na época do assassinato, Lili tinha apenas dois anos de idade. Segundo ela, além da perda da mãe, a prisão do pai provocou uma ruptura definitiva na estrutura familiar, transformando relações afetivas em ausência e desconfiança — experiência que a levou, anos depois, a atuar na defesa das mulheres vítimas de violência.

Estudo aponta alto risco de morte entre vítimas de violência

Durante a programação da Semana da Justiça Pela Paz em Casa também será apresentado um estudo inédito que revela um cenário preocupante: mulheres notificadas por suspeita de violência doméstica na rede pública de Goiânia têm risco quatro vezes maior de morrer por causas externas em comparação à população feminina em geral de Goiás e da capital.

O levantamento analisou dados de 2010 a 2020 a partir da integração de sistemas oficiais de saúde. No período, foram registradas 24.093 notificações de violência, sendo 20.002 classificadas como violência interpessoal. Após o cruzamento das informações, 8.295 mulheres compuseram a amostra final da pesquisa.

Em parte dos casos, as mortes ocorreram em menos de 30 dias após a notificação da violência, intervalo considerado crucial para intervenções capazes de evitar desfechos fatais.

Os dados também apontam fragilidades na rede de proteção. Aproximadamente dois terços das internações por lesões não apresentavam informação sobre a causa básica, enquanto 70% das internações por agressão não tinham notificação no sistema de vigilância, indicando falhas no registro e perda de oportunidades para ações preventivas.

Por outro lado, o estudo mostra que a articulação entre saúde e Justiça pode reduzir significativamente os riscos. Mulheres encaminhadas para serviços de proteção tiveram redução de 40% no risco de internação e de 64% no risco de morte por feminicídio. Quando houve encaminhamento aos serviços da Justiça, a queda foi ainda maior: 55% no risco de internação e até 80% no risco de morte.

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