Arrecadação desacelera em fevereiro, mas ainda acumula ganho real de 9,7%
A forte baixa registrada no setor agropecuário e a queda de receitas na indústria contribuíram para impor uma desaceleração na velocidade de crescimento da arrecadação bruta total do Estado em fevereiro, a despeito de avanços expressivos nos segmentos de combustíveis e de energia elétrica.
Depois de experimentar salto de 17,85% em janeiro, a arrecadação passou a avançar 1,53% no mês seguinte, sempre na comparação com idênticos períodos do ano passado. Em valores atualizados com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a arrecadação estadual saiu de R$ 2,975 bilhões para praticamente R$ 3,021 bilhões no mesmo mês deste ano, em torno de R$ 45,645 milhões a mais.
Os números de fevereiro último corresponderam ao melhor resultado para o mês na série estatística mais recente da Secretaria da Economia de Goiás, iniciada em janeiro de 2018.
Mesmo contabilizada a desaceleração no segundo mês de 2025, os resultados acumulados no primeiro bimestre continuam muito positivos, com alta de 9,66% em relação aos dois primeiros meses do ano passado, já descontada a inflação. A valores atualizados, o Estado havia arrecadado R$ 6,073 bilhões entre janeiro e fevereiro de 2025 e passou a arrecadar R$ 6,659 bilhões nos mesmos dois meses deste ano, correspondendo a uma elevação de R$ 586,665 milhões, num resultado influenciado amplamente pelo desempenho do setor de combustíveis — muito mais em função da elevação dos preços, especialmente no setor de etanol, do que dos volumes transacionados pelo setor.
Combustíveis e energia
Na comparação com fevereiro do ano passado, as transações no setor de combustíveis em todo o Estado geraram uma arrecadação 12,21% mais elevada, saindo de R$ 653,419 milhões para algo muito próximo de R$ 733,200 milhões, num incremento absoluto de R$ 79,781 milhões.
O reajuste médio de 18,55% aplicado às tarifas da energia elétrica em Goiás a partir de 22 de outubro do ano passado ajudou a incrementar as receitas neste ano, com salto de nada menos do que 101,88% em janeiro e mais uma alta em fevereiro, agora mais modesta, na faixa de 28,73% frente a igual período do ano passado.
A valores corrigidos pelo IPCA, a arrecadação nos setores de distribuição e transmissão de energia elétrica saltou de R$ 162,281 milhões em fevereiro de 2025 para R$ 208,909 milhões no segundo mês deste ano, trazendo mais R$ 46,628 milhões para o fisco estadual.
Balanço
• Como demonstram os números, os ganhos de receita apenas no setor de combustíveis já superam todo o avanço registrado para o total da arrecadação bruta estadual, num dado reforçado pelo incremento anotado para a energia elétrica. De fato, excluídos aqueles dois itens, os demais setores da economia tiveram a arrecadação reduzida de R$ 2,159 bilhões para R$ 2,079 bilhões, em baixa de 3,94% (ou R$ 80,764 milhões a menos), ainda na comparação entre os meses de fevereiro deste e do ano passado.
• As perdas mais severas, proporcionalmente, atingiram a agropecuária, o setor de extração mineral e a indústria. Pela ordem, a arrecadação sofreu tombos de 43,44% e de 44,16% nos dois primeiros setores, encolhendo de R$ 84,512 milhões para R$ 47,804 milhões (R$ 36,708 milhões a menos) e de R$ 13,946 milhões para R$ 7,778 milhões respectivamente.
• A indústria, que já vinha patinando nos últimos meses, teve a arrecadação reduzida de R$ 586,157 milhões para R$ 553,110 milhões, numa queda de 5,64%. Em termos absolutos, no entanto, a retração no setor industrial significou o segundo maior impacto negativo, resultando numa perda de R$ 33,047 milhões.
• O ganho acumulado no bimestre inicial de 2025 foi mais uma vez sustentado principalmente pelos combustíveis e pela energia elétrica, mas com ganhos importantes em outras áreas, a exemplo da comunicação. No balanço geral do bimestre, os combustíveis contribuíram com 72,17% para o crescimento geral, cabendo à energia uma participação de 26,66% no aumento total da arrecadação.
• A fatia dos combustíveis na arrecadação geral elevou-se de 17,11% no primeiro bimestre do ano passado para 21,96% em idêntico período deste ano, com as receitas nesta área saltando 40,74%, de R$ 1,039 bilhão para R$ 1,463 bilhão, correspondendo a um ganho de R$ 423,373 milhões.
• No setor de energia, o salto foi mais espetacular, com alta de 57,77% em termos reais, já que a arrecadação subiu de R$ 270,732 milhões para R$ 427,125 milhões, algo como R$ 156,393 milhões a mais (muito por conta da alta anotada em janeiro).
• Com a segunda maior participação no total, a indústria observou recuo de 2,37% na arrecadação bimensal, saindo de pouco menos de R$ 1,216 bilhão para R$ 1,187 bilhão, quase R$ 28,807 milhões a menos. A participação do setor industrial na arrecadação caiu de 20,02% no ano passado para 17,82% no acumulado dos dois primeiros meses deste ano.
• Mais uma vez, as perdas mais severas atingiram os setores agropecuário e extrativo, com baixas reais de 32,77% e de 37,61% frente aos dois primeiros meses de 2025, com impacto mais severo para o primeiro setor. As receitas despencaram de R$ 158,254 milhões e de R$ 31,436 milhões para R$ 106,391 milhões (R$ 51,863 milhões a menos) e R$ 19,614 milhões (em baixa de R$ 11,822 milhões), seguindo a mesma ordem.
• O impulso central para o desempenho da arrecadação até fevereiro veio do Imposto sobre a Comercialização de Mercadorias e Serviços (ICMS), que teve sua participação no total elevado de 76,82% para 79,20%. Nesta área, as receitas aumentaram de R$ 4,665 bilhões para R$ 5,274 bilhões, crescendo 13,06% (ou R$ 609,153 milhões a mais).
• A arrecadação do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) avançou de R$ 662,782 milhões para R$ 680,995 milhões, variando 2,75%.
• Os recursos aportados ao Fundo de Proteção Social do Estado de Goiás (Protege Goiás) pelas empresas incentivadas sofreram baixa real de 8,58% frente ao primeiro bimestre de 2025, caindo de R$ 309,874 milhões para R$ 283,281 milhões (perto de R$ 26,593 milhões a menos).
• No caso do Imposto sobre a Transmissão Causa Mortis e Doação de Quaisquer Bens ou Direitos (ITCD), registrou-se um tombo de 26,79%, com a arrecadação caindo de R$ 162,203 milhões para R$ 118,744 milhões, significando uma perda de R$ 43,459 milhões.