terça-feira, 4 de agosto de 2026

A saga de Flávio em busca de uma vice chega ao Podemos

Wilson Silvestrepor Wilson Silvestre em 4 de agosto de 2026 às 08:53
A saga de Flávio em busca de uma vice chega ao Podemos
Ilustração: Takeshi Gondo

Tem um partido que merece atenção e segue tratado como figurante: o Podemos

 

O xadrez partidário trocou de peças nos últimos anos. O PSDB, protagonista de eleições presidenciais contra o PT por 20 anos, perdeu espaço para o PL e definhou. O MDB, dono do título de municipalista, foi atropelado pelo PSD. Mas tem um partido que merece atenção e segue tratado como figurante: o Podemos. Nascido Partido Trabalhista Nacional (PTN) pelas mãos de José de Abreu, pai de Renata Abreu (Podemos-SP), reivindicou por anos parentesco com o PTN original de Jânio Quadros (1917-1992), até mudar de nome, em 2017, embalado pela Lava Jato, para Podemos, inspirado no espanhol homônimo.

Desde então, com exceção do PL com o bolsonarismo e do PSD com o fisiologismo, o Podemos é, sem exagero, o maior case de sucesso partidário da última década. Entrou em 2018 com 17 federais e hoje soma 27, mais que siglas tradicionais como PSDB, PDT e PSB. No Senado, seis cadeiras, à frente das mesmas três siglas. Com esse currículo, é fácil entender por que Flávio Bolsonaro (PL) queria o apoio do partido, depois que União Progressista e Republicanos bateram a porta na cara. O problema é que Flávio comeu bola. Deveria ter fechado esse acordo meses atrás, quando foi lançado pelo pai, surfava na frente de Lula (PT) nas pesquisas, antes do áudio com Daniel Vorcaro estourar no colo dele.

Agora o Podemos pode dizer “não”. Além do risco de embarcar numa candidatura que pode perder, e deixar Renata Abreu, cotada a vice, sem cargo, o apoio a Flávio azedaria alianças regionais, sobretudo no Nordeste, onde o partido caminha de mãos dadas com o PT. Esse isolamento custa caro, principalmente no relógio. Só com o PL, Flávio terá 4 minutos e 20 segundos de tempo de TV e rádio contra 5 minutos e 32 segundos de Lula. Com o Podemos na coligação, a conta melhora para 4 minutos e 47 segundos contra 5 minutos e 13 segundos do petista. Pouco mais de um minuto de diferença, mas em campanha tão polarizada cada segundo conta. E Flávio, ao perder a janela certa para negociar, perdeu a chance de reduzir essa distância.

Rebeldia contra o PL-DF
Partidos importantes e aliados da governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), não estão nada satisfeitos com a chapa puro-sangue anunciada pelo PL do DF. O primeiro a colocar o pé na porta foi o Podemos, que conta com um generoso tempo de rádio e TV. Na avaliação de suas lideranças, apoiam Celina, mas não concordam em ceder espaço para eleger a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro a senadora tendo seu irmão como primeiro suplente. O mesmo acontece com Bia Kicis, também do PL, que indicou o filho como primeiro suplente. Diante desse enrosco, avaliam que serão apenas escolhas para eleger “um grupo sem afinidade com a gente”, alerta um candidato a deputado pelo Podemos do DF.

Casa cheia
A convenção do PL ocorreu nesta segunda-feira (3), um dia de pouco glamour, mas nem isso desanimou a militância, que lotou o diretório do partido em Goiânia, com direito a lideranças do interior que fizeram bonito. Segunda-feira de expediente para uns, de festa para outros.

Valdemar presente
A presença de Valdemar Costa Neto na Convenção Estadual do PL é o recado que interessa. Quando o cacique nacional atravessa o País numa segunda-feira, deixa claro que Wilder Morais (PL) e Ana Paula Rezende (PL) estão entre as principais apostas do partido.

Mayara no jogo
A ex-primeira-dama do DF, Mayara Noronha (Podemos), que voltou a usar o nome de solteira após divórcio com Ibaneis Rocha, teve seu nome confirmado na convenção do partido para a vaga de deputada federal. A legenda tem até esta quarta-feira (5) para encaminhar a documentação à Justiça Eleitoral e tudo indica que ela será uma das principais puxadoras de votos.

Renato Ribeiro – O pré-candidato a deputado federal pelo PL de Catalão, produtor rural Renato Ribeiro, ao ser indagado sobre a ‘guerra’ entre os pré-candidatos a deputados estaduais da base de Daniel Vilela (MDB), resumiu em frase: “Não entro em briga alheia”.

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