Acerto com Estado ajuda a elevar lucro líquido da Saneago em 2021

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em: 17 de março de 2022

Receitas, custos e despesas cresceram em baixa velocidade no ano passado, num ritmo inferior ao da inflação, variando 2,29% no primeiro caso e 5,57% na soma daqueles dois últimos itens. Ao mesmo tempo, a empresa fechou acordo com o Estado para pagamento de débitos já lançados na conta de créditos de recebimento duvidoso. A Saneamento de Goiás S.A. (Saneago) recebeu liquidamente do seu controlador principal em torno de R$ 109,206 milhões no ano passado, o que ajudou a elevar modestamente o resultado líquido do exercício.

O lucro passou de R$ 336,346 milhões em 2020 para R$ 352,456 milhões no ano passado, variando 4,79%.A relação entre resultado e patrimônio líquido recuou de 10,93% no ano passado para 10,5%, já que o patrimônio aumentou mais do que o lucro líquido, crescendo 9,07%. As receitas líquidas saíram de R$ 2,372 bilhões para R$ 2,426 bilhões, enquanto a soma de custos e despesas passou de R$ 1,839 bilhão para quase R$ 1,942 bilhão. No mesmo grupo, a administração da companhia destaca a redução de 6,72% nos gastos com material, de R$ 86,596 milhões para R$ 80,776 milhões.

A redução desses gastos não parece ter tido impactos muito relevantes, visto que as despesas totais cresceram, menos do que a inflação (indicando queda real), mas cresceram. Além do mais esse tipo de redução pode ser estar relacionada às dificuldades que a empresa enfrentou para realizar licitações e levar seus investimentos adiante. Ainda por conta da pandemia e de seus efeitos, as licitações promovidas não foram bem-sucedidas, até em função da alta nos preços dos materiais de construção no período.

Investimento em queda

O investimento total da Saneago no ano passado sofreu redução de 13,67% frente a 2020, caindo de R$ 259,213 milhões para R$ 223,779 milhões. Proporcionalmente, a queda foi mais pronunciada no setor de esgoto, já que investimento ali despencou de R$ 101, 711 milhões para R$ 69,797 milhões, num tombo de 31,38%. Os sistemas de água receberam 8,48% a menos, com o investimento baixando de R$ 126,828 milhões para R$ 116,070 milhões. O grupo “outros investimentos”, que inclui compra de bens não destinados aos sistemas de água e esgoto (veículos, computadores, construções de áreas administrativas, softwares e estoque de obras), registrou alta de 23,60%, de R$ 30,674 milhões para R$ 37,912 milhões.

Balanço

  • No trimestre final de 2021, a Saneago anotou forte incremento em sua conta de investimentos, reduzindo a queda que vinha se acumulando ao longo do exercício. A empresa chegou a investir R$ 98,172 milhões no quarto trimestre do ano passado, frente a R$ 58,310 milhões em igual período de 2020, num salto de 68,39%. Quase metade do investimento, no entanto, esteve relacionado ao aporte de R$ 47,602 milhões realizado pela estatal goiana no Consócio Corumbá, mantido em sociedade com a brasiliense Caesb para construção e operação do sistema de produção de águas no rio do mesmo nome, no entorno do Distrito Federal.
  • Nos termos do novo marco regulatório estabelecido para o setor de saneamento desde 2020, a Saneago conseguiu ter comprovada não apenas sua capacidade econômico-financeira para sustentar a concessão e universalizar seus serviços como demonstrou cumprir os requisitos de viabilidade para captar recursos no mercado e sustentar os investimentos que precisarão ser feitos daqui em diante. Os estudos desenvolvidos pela empresa foram validados pela BDO RCS Auditores e pela consultoria EY (antiga Ernst&Young).
  • A empresa obteve a reforma da lei que assegurou sua criação em 1967 (a Lei Estadual 6.680), ampliando sua atuação para novos “arranjos de negócio”, o que, na visão da diretoria, deverá reforçar a capacidade de competição da concessionária, assim como sua eficiência. Neste sentido ainda, a companhia está autorizada a formar novas parceiras, criar sociedades de propósito específico, subsidiárias locais e fundos.
  • A possibilidade de atuação no segmento de coleta e tratamento de lixo surge como uma das possibilidades, o que faz sentido para uma empresa de saneamento, que depende da qualidade da água para assegurar a oferta de serviços compatíveis aos usuários. Além dessa possibilidade, abre-se a perspectiva de participação no mercado de energias alternativas a partir de biogás gerado pelo processamento de resíduos sólidos.
  • Entre fevereiro e março deste ano, a Saneago homologou o desligamento de 451 empregados inscritos no plano de demissão voluntária instituído em dezembro do ano passado. O programa atingiu empregados já aposentados ou não com mais de 10 anos na empresa.
  • Em 14 de dezembro passado, os colegiados da Agência Goiana de Regulação (AGR) e da Agência de Regulação de Goiânia (AR) aprovaram reajuste de 8,854%. As novas tarifas entraram em vigor no dia 3 de fevereiro passado.
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