Acostumem-se ao pior: faltam 137 eternidades até a eleição
O Brasil vai às urnas a cada dois anos e parece que não se acostuma ao enredo. Todo dia tem um escândalo. Todo dia tem alguém caindo, alguém articulando, alguém se lascando, alguém comemorando, alguém sendo vítima de calúnia, alguém fazendo fake news. Essa é a lama que nos espera nos anos pares, Copa do Mundo em eleição geral, Olimpíadas em pleito municipal. E as pessoas ainda se surpreendem com as “novidades” de traições, adesões, milhões aos borbotões e muitos outros ãos e ões.
A última aparição inesperada foi no circuito estadual com a vitória de Marconi Perillo sobre Iris Rezende em 1998. Daí em diante ou para trás, no País e no Estado, tudo correu nos conformes. Ah, fulano foi cassado, beltrano desistiu, tudo nos conformes. Toda hora o celular avisa que chegou mensagem e é o vídeo da desistência de algum candidato a governador, de outro que chutou quem queria ser vice, aquele ali que vai ficar sem o partido tal. E daí? O que há de novo nisso?
A pessoa que gosta de política, e como tal se entenda esse amontoado de sujeitos sem predicados que tratam o povo como objeto, se contenta com a declaração bombástica de quem está sem condição de soltar um traque, até por ele próprio ser a bomba. Diz-se que em campanha eleitoral, seja a pré ou a autorizada pela Justiça, cada dia é uma eternidade. Deve ser porque tudo que os candidatos fazem é efêmero. Suas frases decoradas não duram um jantar e não valem uma limonada suíça. Suas suíças brancas contrastam com os cabelos pintados de preto sobre uma cabeça vazia. E é isso desde sempre. Inclusive, agora. E nos próximos Jogos Olímpicos em que já começamos perdendo de dois anos a zero.
(Especial para O HOJE)