Adair Meira não é filho sem pai nem defunto sem choro
Está na moda falar mal de Adair Meira, até dias atrás um empresário razoavelmente anônimo. Está preso e apareceu em manchetes como ligado ao Primeiro Comando da Capital, o grupo paulista que começou tocando o terror em presídios e agora ganhou o status de máfia. Lidos os textos acerca do assunto, aparece um fundamento político. Lateralmente, envolvem o empresário com um banco que lava dinheiro para a facção. Mas o que interessa é o título associado ao tema: o nome de Adair, o de alguém que o conhece e as três letras, PCC. Só que ele não é exatamente um defunto sem choro, um filho sem pai.
A partir de Goiás, Meira executou, com repercussão internacional, a ideia de formar jovens e adolescentes e, ao mesmo tempo, lhes pagar meio salário mínimo. O órgão público, com aquele tanto de preguiçosos esperando a hora de ir para casa, ganhou injeção de ânimo com baixo custo, sem contar tempo de aposentadoria. Em geral, um rapaz daqueles trabalha em meio expediente o que dez servidores efetivos não produzem num mês. Por isso, a empresa de Adair ficou no mercado desde 1992 e celebrou contratos com governadores de 23 unidades da federação, que nada fizeram de errado. Pelo contrário: incentivaram o aprendizado e oxigenaram o serviço público. Até aí, ninguém sabia de rolo de Adair. Portais e plataformas colocam os nomes dos políticos porque dois deles são pré-candidatos à Presidência da República, ambos pela oposição.
Antes, Adair era associado ao Jovem Cidadão, à Fundação Pró-Cerrado, à Renapsi e à rádio Sagres. Hoje, ao crime organizado. Será punido na medida de sua culpa, mas não se deve dar espaço a inescrupulosos que podem usá-lo de escada tentando atingir inocentes. (Especial para O HOJE)