Ademir Luiz estreia na literatura infantil com “Cara de Nada”
Livro transforma o zero em metáfora para discutir identidade, autoestima e a forma como crianças aprendem a enxergar a si mesmas
A sensação de não saber exatamente quem se é aparece cedo na vida e ganha forma em Cara de Nada, primeiro livro infantil do escritor e historiador Ademir Luiz. Com ilustrações de Tiago Duarte e publicação pela Editora Mandru, a obra acompanha um menino que se vê como um “zero bem redondinho” e tenta compreender o próprio lugar no mundo.
Presidente da União Brasileira de Escritores de Goiás (UBE-GO), Ademir parte de uma inquietação antiga com a literatura destinada às crianças. “A vontade de escrever Cara de Nada veio de uma inquietação. Como gestor cultural e crítico literário, é muito comum receber, enviado por autores ou editoras, obras infantis ou infantojuvenis. Algumas são muito boas, realmente divertidas e inteligentes. Mas outras me chamavam a atenção pela forma como duvidavam da inteligência de seus leitores. Apresentam narrativas incongruentes e construções de mundo artificiais. Simplesmente não são convincentes. Um livro infantil precisa ser tão caprichado quanto um livro para adultos”, destaca o autor.
Na narrativa, o protagonista convive com comparações feitas pelos adultos e com a sensação de ser definido pelo olhar de fora. Ora se parece com parentes, ora recebe associações absurdas, como ter “cara de joelho”. O humor ajuda a tratar de insegurança e pertencimento sem transformar a história em lição explícita.
A história também questiona ideias tradicionais sobre masculinidade ao permitir que o menino chore e expresse suas emoções. Em outro momento, ele deixa de recorrer às máscaras usadas nas brincadeiras e passa a usar óculos, numa mudança que acompanha uma nova forma de enxergar a si mesmo.
“Espero que Cara de Nada encontre seu público. Que as pessoas entendam sua proposta de conversar com crianças contemporâneas, que não se importam muito com contos de fadas ou histórias moralizantes, mas que assistem a filmes da Marvel, Star Wars, colecionam álbuns da Copa, andam de skate e jogam videogame, além de muitas outras coisas. Fiz o livro pensando em meus sobrinhos. Não é por acaso que o livro é dedicado para eles, Netto e João Paulo. É um livro para meninos? Talvez. O que significa que o próximo projeto talvez possa ser um livro para meninas. Eu adoraria escrever”, finaliza Ademir Luiz.
O autor

Doutor em História, com especialização no período medieval, Ademir Luiz realizou pós-doutorado em Poéticas Visuais e Processos de Criação. Foi bolsista pesquisador do Instituto Camões, de Portugal, e indicado ao Prêmio Capes de Teses. Professor universitário, é editor do periódico acadêmico Revista Nós: Cultura, Estética e Linguagens. Atua também como romancista, contista, quadrinista e ensaísta.
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