domingo, 27 de setembro de 2026

Agro e investimentos contribuem para avanço de 1,4% do PIB no 1º trimestre

Lauro Veiga Filhopor em
Agro e investimentos contribuem para avanço de 1,4% do PIB no 1º trimestre

A atividade econômica iniciou 2025 em um ritmo mais acelerado do que aquele observado no final do ano passado, especialmente por conta do
desempenho da agropecuária, puxado pelo aumento na produção de soja, milho, arroz e fumo, e ainda pelo avanço dos investimentos, com contribuição positiva também do consumo das famílias. Os dados do Produto Interno Bruto (PIB), que mede o volume de riquezas geradas pela
economia, divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostraram variação de 1,4% na saída do quarto trimestre de 2024 para o primeiro trimestre deste ano, depois de uma variação quase nula nos três meses finais do ano passado – mais precisamente, o IBGE havia apontado uma variação de 0,1% diante do trimestre imediatamente anterior, sempre na série de dados dessazonalizados, ou seja, com exclusão de eventos e fatores que regularmente ocorrem nas mesmas épocas ano a ano.

Comparado ao primeiro trimestre de 2024, quando o PIB havia crescido 2,6% frente ao mesmo período de 2023, o crescimento nos três meses
iniciais deste ano aproximou-se de 2,9%. A riqueza total gerada pela economia brasileira, ligeiramente abaixo das projeções do setor financeiro, que aguardava um incremento ao redor de 1,5% na série dessazonalizada (quer dizer, na passagem do último trimestre de 2024 para o primeiro deste
ano) e de 3,1% frente ao trimestre inicial do ano passado. Pode parecer de certa inacreditável, mas desta vez o setor financeiro estava sendo modestamente mais otimista, ainda que o tom animador não pareça ter afetado o comportamento dos mercados de forma mais evidente.

Mudança de ciclo?

O dado a ser anotado é que o PIB aparentemente teria interrompido “a trajetória de desaceleração que vinha apresentando desde a segunda metade
do ano passado”, na leitura do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). Na avaliação da entidade, “o principal motivo por trás
disso foi a forte expansão da agropecuária”, um fator dado como “já esperado” pelo Iedi em função da recuperação da produtividade em culturas importantes, como milho, soja e arroz, afetadas negativamente por problemas climáticos ao longo da safra passada. As vendas do setor lá fora,
acrescenta o Iedi, foram ainda importantes “para trazer as exportações [totais do País] de volta ao terreno positivo”. O PIB da agropecuária, de
fato, avançou 12,2% em relação ao quarto trimestre de 2024 e 10,2% quando comparado os números acumulados nos três primeiros meses de
2024, com altas de 13,3% na produção de soja, de 11,8% no volume de milho colhido, de 12,2% para a colheita de arroz e de 25,2% na produção
de fumo, de acordo com o IBGE.

Balanço

  • O investimento, identificado nas contas nacionais como Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que havia apresentado crescimento de 1,7% e de 2,9% no segundo e terceiros trimestres do ano passado, desacelerando relativamente para 0,7% no último trimestre, nos dados dessazonalizados (comparados aos trimestres imediatamente anteriores), voltou a crescer fortemente. O avanço no primeiro trimestre atingiu 3,1%, no melhor desempenho desde o igual período de 2024, quando havia avançado 4,1% frente ao quarto trimestre de 2023.
  • A taxa de avanço dos investimentos tem superado o crescimento médio do PIB desde o final de 2023, num dado relevante, já que o aumento da capacidade de fabricação de bens tenderia a contribuir para esvaziar pressões inflacionárias mais à frente, diante de um esperado aumento da oferta, fazendo frente ao incremento da demanda.
  • Na série de dados dessazonalizados, o investimento acumula salto de 15,0% desde o terceiro trimestre de 2023, enquanto o PIB total cresceu a um terço daquela taxa, variando pouco menos de 5,1% no mesmo período. Na comparação com o primeiro trimestre de 2020, portanto antes da chegada da pandemia ao País, o investimento anotou elevação de 19,8%, mas continuava 6,7% abaixo do seu nível mais elevado, alcançado no segundo trimestre de 2013.
  • Há ainda, portanto, um bom caminho a ser percorrido para que o investimento retome seus melhores momentos na série histórica, quando chegou a representar 20,7% do PIB. Num período mais recente, a recuperação em curso trouxe aquela taxa de 16,3% no segundo trimestre de 2023 para 17,8% nos primeiros três meses deste ano.
  • Na comparação com igual período do ano imediatamente anterior, os investimentos continuaram crescendo vigorosamente, variado 9,1% no primeiro trimestre deste ano (depois de alta de 9,4% no último trimestre do ano passado e de 5,4% nos três primeiros meses também de 2024). Foi o quinto trimestre de crescimento nesse tipo de comparação. Segundo o IBGE, “o desempenho foi puxado pelo crescimento da atividade de construção (mais 3,4%), da produção nacional e importações de bens de capital, com destaque para importação de plataforma de petróleo, além da alta no desenvolvimento de softwares”.
  • O consumo das famílias, que havia recuado 0,9% na saída do terceiro para o quarto trimestre do ano passado, praticamente recuperou a perda ao avançar 1,0% no primeiro trimestre (diante do trimestre imediatamente anterior). Na prática, o nível do consumo das famílias retomou os níveis do terceiro trimestre de 2024. Na comparação com idêntico período do ano anterior, houve algum desaquecimento nesta ano, com o consumo das famílias avançando 2,6% no primeiro trimestre de 2025, o que se compara com altas de 5,5% e de 3,7% respectivamente no terceiro e quarto trimestres do ano passado.
  • O crescimento do consumo das famílias, na versão do IBGE, sofreu influência do aumento da massa salarial real (que cresceu 6,6% no primeiro trimestre) e, apesar dos juros muito mais altos, do avanço nominal de 11,7% no saldo das operações de crédito contratado por pessoas físicas dentro do sistema financeiro.
  • A indústria geral praticamente não cresceu entre o final de 2024 e o início deste ano, recuando 0,1% em função de baixas de 0,8% e de 1,0% para a construção e no setor de transformação, compensadas parcialmente pelas altas de 1,5% no setor de eletricidade e gás, água, esgoto e gestão de resíduos e de 2,1% na indústria extrativa (com ganhos principalmente na extração e produção de petróleo).
  • Em relação ao primeiro trimestre do ano passado, o setor chegou a crescer 2,4%, com avanços de 2,8% para a indústria de transformação, de 3,4% na construção e de 1,6% no segmento de eletricidade e gás, enquanto a indústria extrativa variou apenas 0,2%. Para registro, o nível de atividade na indústria de transformação mantinha-se 15,1% inferior àquele atingido no terceiro trimestre de 2008, que continua representando o melhor momento do setor na série histórica.

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