terça-feira, 18 de agosto de 2026

Ana Paula Rezende e Daniel Vilela reeditam a rivalidade Iris-Maguito

Wilson Silvestrepor Wilson Silvestre em
Ana Paula Rezende e Daniel Vilela reeditam a rivalidade Iris-Maguito
Ilustração: Takeshi Gondo

A essa altura da disputa eleitoral, não há dúvidas de que a eleição presidencial será polarizada entre o lulopetismo e o bolsonarismo. Mas em Goiás, o roteiro indica que será outro. De um lado, o irismo, na figura de Ana Paula Rezende (PL), vice de Wilder Morais (PL); do outro, o maguitismo, encarnado pelo governador Daniel Vilela (MDB). Ambos, filhos das duas maiores lideranças que o MDB goiano já produziu nas últimas cinco décadas. Embora o caiadismo tenha ganhado musculatura política com Ronaldo Caiado (PSDB), não se deve menosprezar a força pessoal do ex-governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB).

Quem já andou pelo serpentário político sabe que Iris Rezende (1933-2021) e Maguito Vilela (1949-2021) conviveram décadas sob o mesmo teto emedebista, mas nunca se engoliram. Maguito, que teria direito à reeleição ao governo em 1998, nunca perdoou Iris por tê-lo retirado da disputa. Quatro anos depois, em 2002, deu o troco e fez ‘corpo mole’ na campanha de Iris ao Senado, que amargou a derrota, e Iris, claro, jamais esqueceu. Quase 25 anos depois, o irismo e o maguitismo voltam a protagonizar as eleições estaduais, sem os patriarcas, mas com a mesma rivalidade travestida nos filhos. Daniel Vilela, que busca conquistar mais quatro anos à frente do Palácio das Esmeraldas, e Ana Paula Rezende (PL), que busca o mesmo objetivo como vice na chapa de Wilder Morais (PL).

Proteção às mulheres das classes C e D
Dentro do PL, o cálculo é que o bolsonarismo garantirá a Wilder Morais amplo apoio nas classes A e B, mas não trará votos da periferia. Essa tarefa caberá a Ana Paula Rezende, que deve focar suas agendas nas classes C e D, aquelas beneficiadas pelos mutirões de Iris Rezende. Não só em Goiânia, sobretudo no interior, onde Ana Paula tem dedicado boa parte de sua agenda de conversas. Desse contato pessoal, Ana Paula percebeu que mais da metade das mulheres nessa faixa social são provedoras e mantenedoras da família. Essa será sua maior bandeira de políticas públicas de inserção social, caso seja eleita com Wilder ao Governo de Goiás.

Vice aglutinadora
Existe também a expectativa de que Ana Paula funcione como antídoto à rejeição feminina ao bolsonarismo. Em Goiás, mulheres são a maioria do eleitorado, 52%, um contingente que nenhuma candidatura séria pode desprezar na corrida ao Palácio das Esmeraldas.

Mangão esclarece
O episódio ocorrido na carreata da base governista em algumas cidades do Entorno do DF, neste domingo (16), em que o prefeito de Novo Gama, Carlinhos do Mangão (PL), e sua mulher, Joscilene Mangão (Agir), foram barrado pelos seguranças de Ronaldo Caiado (PSD) de subirem no caminhão em que estavam as autoridades. Eles dão sua versão. “Ao contrário do que dizem, não foram agentes da PF que barraram e sim PMs que fazem a segurança de Caiado e Gracinha”, conta Mangão.

“Não rompi”
Mangão disse à coluna que não está rompido com Ronaldo Caiado, “do qual sou amigo e grato”. E explica: “Não magoado, pois onde não cabe minha mulher, candidata a deputada estadual pela base de Daniel Vilela, também não me cabe e fui para o carro onde estavam as lideranças de Novo Gama, portanto não procede a informação que rompi com Caiado. Tanto que dona Gracinha e o seu primeiro suplente ao Senado, Alexandre Baldy, desceram do carro em que estavam e acompanharam eu e a Joscilene em solidariedade”.

Zé Mário e Marussa
Aliados do presidente da Faeg, José Mário Schreiner, dizem que, depois de ser defenestrado pela base governista na vaga de vice de Daniel Vilela, o ex-deputado federal vai concentrar todas as energias para reeleger Marussa Boldrin deputada federal. A deputada está filiada ao Republicanos, que corre risco de eleger apenas um deputado federal.

Ruim para Caiado – A fala de Gilberto Kassab (PSD) sobre o Centrão estar com Lula (PT) virou a primeira crise da campanha de Ronaldo Caiado (PSD) à Presidência da República. Kassab até tentou remendar depois, ao tirar o PSD da lista, mas o estrago já tinha sido feito.

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