quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Anúncios de investimentos privados desabam 93% no segundo trimestre

Lauro Veiga Filhopor em
Anúncios de investimentos privados desabam 93% no segundo trimestre
Foto: Divulgação/Secom Goiás

O valor dos investimentos anunciados por empresas privadas no segundo trimestre deste ano em Goiás despencou 92,94% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo plataforma desenvolvida pelo Instituto Mauro Borges de Pesquisa e Política Econômica (IMB) para acompanhar aquele tipo de anúncio. A valores nominais, o instituto havia registrado perto de R$ 8,764 bilhões em investimentos no trimestre encerrado em junho do ano passado e apenas R$ 619,143 milhões nos mesmos três meses deste ano. Na soma geral, incluindo empresas públicas e de capital misto, além do setor privado, os investimentos identificados pelo IMB em seu levantamento encolheram de R$ 10,193 bilhões para R$ 3,067 bilhões em igual intervalo, demonstrando baixa de 69,91%.

No semestre, as intenções de investimento registradas pela plataforma do IMB – fora do ar neste momento, numa anotação à parte – fecharam em queda no setor privado, passando de R$ 11,198 bilhões entre janeiro e junho de 2025 para R$ 9,993 bilhões na primeira metade deste ano, numa queda de 10,76%. A despeito da alta de 285,13% observada no trimestre inicial deste ano, quando os anúncio de investimentos privados havia atingido R$ 9,374 bilhões diante de R$ 2,434 bilhões no mesmo período do ano passado – total que por sua vez havia sofrido baixa de 33,86% em relação ao primeiro trimestre de 2024.

Os anúncios totais, de toda forma, chegaram a avançar 5,33% ainda na comparação semestral, saindo de quase R$ 12,886 bilhões no acumulado nos primeiros seis meses de 2025 para R$ 13,572 bilhões neste ano, graças ao salto de 290,13% registrado no primeiro trimestre, com as intenções de investimento disparando de R$ 2,693 bilhões para R$ 10,505 bilhões. Nessa comparação, no entanto, a base mais baixa em 2025, gerada pelo tombo de 57,0% em relação ao primeiro trimestre de 2024, ajuda a explicar a disparada nos mesmos três meses deste ano.

 

Dúvidas

O sistema alimentado por notícias sobre projetos de investimento não contempla dados mais detalhados que permitam visualizar fatores que poderiam influir na trajetória das intenções de investimento no Estado. Variações periódicas podem significar alterações no ânimo empresarial ou mesmo apenas oscilações esporádicas, sem maior significado na definição de tendências de prazo mais longo. Da mesma forma, o mero anúncio não significa que os investimentos envolvidos deverão mesmo ser concretizados, mas apontam pelo menos decisões empresariais que poderão ou não se confirmar mais adiante.

 

Balanço

A intenção de investimentos no setor industrial privado experimentou baixa ainda mais severa no segundo trimestre deste ano, num tombo de 96,40% em relação ao mesmo trimestre do ano passado. Um dado a ser observado com cautela, dada a magnitude da retração anotado pela plataforma do IMB. Para comprovar, os anúncios haviam somado R$ 7,663 bilhões no segundo trimestre do ano passado, saindo de R$ 7,224 bilhões nos mesmos três meses de 2024, num incremento de 6,08%.

Mas os anúncios coletados ao longo de abril e junho deste ano desabaram para apenas R$ 275,80 milhões. O que está por trás desse comportamento? Como explicar uma queda tão pronunciada? O que motivou esse aparente golpe no “ânimo empresarial”? Por enquanto, as respostas àquelas questões continuam em aberto.

Os números coletados pelo IMB e consolidados na plataforma “Investimentos anunciados em Goiás”, neste momento fora do ar, repita-se, mostram queda igualmente pronunciada para investimentos privados na instalação de novas unidades e fábricas. No dado geral, envolvendo setores público e privado, os anúncios de investimentos na implantação de novos negócios baixaram de R$ 7,676 bilhões no segundo trimestre do ano passado para praticamente R$ 578,80 milhões, numa queda de 92,46%.

No primeiro semestre, os números anotaram baixa de 79,74%, de R$ 8,194 bilhões no ano passado para aproximadamente R$ 1,660 bilhão nos seis primeiros meses deste ano. A queda no acumulado de todo o semestre foi de certa forma “amortecida” pelo salto de 108,85% registrado no primeiro trimestre. Neste caso, os valores subiram de R$ 517,60 milhões em 2025 para R$ 1,081 bilhão.

Na indústria, a intenção de investimentos em novas plantas industriais privadas ficou limitado a apenas R$ 275,80 milhões no segundo trimestre deste ano, saindo de zero nos primeiros três meses de 2026. Mas haviam alcançado R$ 7,407 bilhões no segundo trimestre do ano passado. A comparação mostra um tombo de 96,28% (com retração praticamente equivalente no acumulado dos seis primeiros meses do ano).

Num levantamento divulgado recentemente, a KPMG – uma das quatro maiores empresas de consultoria e auditoria do mundo – apontou um salto de 380% no valor total das aquisições e fusões de empresas em Goiás entre o primeiro semestre de 2025 e igual período deste ano, escalando de R$ 2,90 bilhões para nada menos do que R$ 14,40 bilhões (ainda que o número de transações tenha se mantido inalterado em 13 operações em ambos semestres). O desempenho, segundo a consultoria, poderia ser considerado como resultado de um processo de “amadurecimento” da economia local, indicando ainda diversificação e maior presença de investidores estrangeiros e nacionais.

Na verdade, duas operações responderam por praticamente todo o valor registrado nos seis primeiros meses deste ano. A compra da Serra Verde Pesquisa e Mineração, dona da mina de Pela Ema, em Minaçu, onde explora terras raras, pela estadunidense USA Rare Earth, anunciada em abril, envolveu perto de US$ 2,8 bilhões. Pelo câmbio médio daquele mês, a transação teria envolvido perto de R$ 14,1 bilhões. A Axia Energia, antiga Eletrobrás, vendeu sua participação de 46% na Goiás Transmissão para a Gebbras Participações, do Grupo Energia Bogotá, num negócio de R$ 451,4 milhões.

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