Ao questionar a organização partidária, dissidentes qualificam debate político

Publicado por: Venceslau Pimentel | Postado em: 21 de julho de 2019

A eleição de deputados a partir
da atuação de movimentos políticos trouxe um novo posicionamento para dentro
dos partidos políticos que, no Brasil, possuem a figura de dono e que os gerem
através de um modelo vertical e autoritário. A falta de debate e democracia
dentro desses espaços começa a ser questionada por figuras como Tabata Amaral,
eleita deputada federal pelo PDT de São Paulo, em 2018, com a maior votação
proporcional do partido no país. A cientista política de 24 anos deu voz, na
última semana, a uma parcela de parlamentares que questionam a organização e orientação
das legendas que basearam suas candidaturas.

Ao votar a favor da reforma da
Previdência e contra ao estabelecido pela sua sigla, Tabata trouxe à tona um
debate recorrente: a falta de espaço para debates dentro das estruturas
partidárias. Em represália, o PDT aplicou sanções políticas aos deputados que
foram contrários ao estabelecido pelo presidente Carlos Lupi.  Lupi, inclusive, chegou a ameaçar expulsar os
independentes da sigla, caso votem favoráveis a proposta no segundo turno da
proposta. Tal ideia foi afastada por, de novo, interesses próprios.

Em artigo na Folha de S.Paulo, a
deputada quebrou o silêncio sobre a polêmica e apelou por “mais democracia
interna” nos partidos. “Muitas vezes, consensos sobre pautas
complexas não são construídos de baixo para cima, e cartilhas antigas se
sobrepõem aos estudos e evidências. Quando algum membro decide tomar uma
decisão que considere responsável e fiel ao que acredita ser importante para o
país, há perseguição política. Ofensas, ataques à honra e outras tentativas de
ferir a imagem tomam o lugar do diálogo. Exatamente o que vivo agora”,
escreveu Tabata.

A guerra declarada pelo PDT aos
movimentos políticos, como noticiado por O Hoje, deixa claro uma estratégia de
sobrevivência por parte dos ‘donos de partidos’ que estão acostumados a tomar
decisões que, em muito, apenas os beneficiam e pouco colaboram para qualificar
o debate político brasileiro.

Pelo contrário, ao tentar abaixar
o tom de vozes como a de Tabata, os partidos perdem oportunidade de ampliar sua
participação junto a uma crescente parcela de jovens interessados em discutir
questões importantes para o país.

O artifício usado pelo partido
foi pequeno e raso. Para constranger Tabata, o PDT divulgou um vídeo da
Convenção Nacional na qual sua bancada e demais membros fecharam questão contra
a reforma da Previdência. Ao mostrar imagens da deputada, a legenda tenta minar
a sua reputação e a apequenar.

Isso tudo serve para buscar ‘dar
exemplo’ aos infiéis. E embora tenha havido recuo pela expulsão dos
dissidentes, o partido deve limitar o espaço político de Tabata dentro da
Câmara dos Deputados. A expulsão, claro, não é vantajosa para o partido – que
angaria recursos públicos a partir do tamanho de sua bancada. Abrir mão de um
mandato significa abrir mão de dinheiro. E isso, claro, nenhum partido se
interessa. Muito menos Carlos Lupi.

Nesse importante cenário de mudança política, o
desafio das legendas será abrir diálogo com personagens políticos cada vez mais
independentes. A pluralidade de siglas no país não parece ser suficiente para
que o debate de ideias os diferencie. E é isso que Tabatas pretendem combater.  

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