Aprovações crescem 123% e desembolsos do BNDES aumentam 27,6% em Goiás
Ao contrário do registrado no passado, quando as grandes empresas lideraram o aumento dos desembolsos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em Goiás, concentrando pouco mais de 64% das liberações, nos primeiros três meses deste ano, a alta foi comandada por empresas de médio porte, seguidas por micro e pequenos negócios. Aparentemente, houve uma melhora na distribuição dos recursos do banco de fomento pelo menos ao longo dos primeiros três meses deste ano, estatística mais recente divulgada pela instituição.
A valores reais, atualizados até março deste ano com base na variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), os desembolsos do banco no Estado subiram de R$ 720,319 para R$ 919,158 milhões, em alta de 27,60% na passagem do primeiro trimestre do ano passado e o mesmo período deste ano. Os recursos liberados para grandes empresas praticamente apontaram queda real de 4,12% no primeiro trimestre deste ano, somando R$ 347,088 milhões, o que se compara com R$ 362,019 milhões nos mesmos três meses do ano passado. A participação do segmento nos desembolsos totais caiu de 50,26% para 37,76% – lembrando que as grandes empresas chegaram a abocanhar 64,46% dos recursos liberados pelo BNDES para Goiás nos 12 meses do ano passado, saindo de 32,12% um ano antes.
As médias empresas tiveram suas contratações elevadas em 57,94% depois de descontada a inflação, com os desembolsos passando de R$ 254,306 milhões para R$ 401,485 milhões. Praticamente 69% do incremento anotado pelo total de desembolsos no Estado tiveram como origem as operações desenvolvidas pelo banco com empresas de médio porte, que elevaram sua participação nos recursos desembolsados de 35,29% no primeiro trimestre do ano passado para 43,68%, acima também da fatia de 24,51% alcançada nos 12 meses de 2025 – embora ainda abaixo dos 45,38% registrados pelo banco em 2024.
Avanço real
Micro e pequenas empresas, que haviam respondido por apenas 11,03% dos recursos liberados no ano passado, tiveram sua participação elevada para 18,56% no primeiro trimestre deste ano, superando igualmente o percentual registrado nos três meses iniciais do ano passado, em torno de 14,45%. Ainda a valores atualizados até março deste ano, os desembolsos em favor daquelas empresas registrou alta de 63,87%, passando de R$ 104,095 milhões para R$ 170,580 milhões. Embora a categoria tenha recebido quase 18,6% dos financiamentos liberados pelo BNDES, sua contribuição para o crescimento do total dos desembolsos ficou mais próxima de 31,0%. Não deixa de ser um ganho relevante, especialmente quando se considera que os desembolsos para micro e pequenos negócios chegou a experimentar baixa de quase 14,0% em 2025, em valores não atualizados. A participação, no entanto, continuava inferior aos 22,50% observados em 2024.
Balanço
A etapa imediatamente anterior à contratação e liberação do financiamento sugere que os desembolsos tenderão a manter fôlego aquecido nos meses à frente. O valor dos contratos aprovados pelo BNDES no Estado mais do que dobrou em termos reais naquela mesma comparação, saltando de R$ 690,042 milhões para R$ 1,539 bilhão, correspondendo a um incremento de 123,03%.
Não apenas o ritmo dá mostras de que poderia se manter daqui em diante, a depender de fatores conjunturais e geopolíticos, influenciados pela continuidade ou não da guerra movida contra o Irã por Estados Unidos e Israel e de seus desdobramentos. A distribuição, da mesma forma, parece manter-se mais equilibrada, com quase 72,9% do total das aprovação destinadas a médias, pequenas e micro empresas, diante de uma participação de 64,9% no período entre janeiro e março do ano passado.
Ainda em termos reais, quer dizer, com o devido desconto da variação geral dos preços na economia, as aprovações de crédito para empresas médias escalou de R$ 294,1 milhões para R$ 809,7 milhões, num salto real de 175,4%. O desempenho permitiu elevar a participação daquelas empresas no total das aprovações de 42,6% para 52,6%.
As aprovações cresceram vigorosamente também para micro e pequenas empresas, mas em um ritmo ligeiramente abaixo da média geral, o que levou a uma perda de participação para o segmento, saindo de 22,3% no primeiro trimestre do ano passado para 20,3% no mesmo intervalo deste ano. Os valores aprovados subiram de R$ 153,3 milhões para R$ 311,2 milhões, correspondendo a um avanço de 102,0%.
Entre as grandes empresas, os dados do BNDES mostram alta também relevante, mas menos intensa proporcionalmente, causando perda de participação nas aprovações totais em Goiás. No ano passado, ainda no primeiro trimestre, os valores das propostas apresentadas pelas grandes empresas e aprovadas pelo banco somaram R$ 242,6 milhões a valores reais, representando 35,1% do total. No mesmo trimestre deste ano, foram aprovados em torno de R$ 418,0 milhões, significando um avanço real de 72,30%. Mas a participação recuou para 27,2%.
Entre os principais setores favorecidos pelos recursos do BNDES no Estado, a indústria apresentou a maior contribuição para o crescimento dos desembolsos, seguido pelo segmento de comércio e serviços. O setor industrial goiano recebeu R$ 205,945 milhões entre janeiro e março deste ano, frente a R$ 84,550 milhões em igual trimestre de 2025, a valores nominais, com variação de 143,58%. Quando descontada a inflação, os desembolsos no setor aumentaram 133,60%.
Entre os principais segmentos no setor, a indústria de alimentos e bebidas responderam por quase 37% daquele incremento, já que os desembolsos na área aumentaram de R$ 12,075 milhões para R$ 56,692 milhões, correspondendo a uma alta real de nada menos do que 350,3%.
A segunda maior contribuição veio da indústria mecânica, mas por conta de uma base de comparação bastante achatada, já que o segmento havia recebido apenas R$ 28,763 mil nos três meses iniciais do ano passado, disparando para R$ 35,280 milhões neste ano. Os desembolsos na indústria de metalurgia e seus produtos escalaram de R$ 2,674 milhões para R$ 31,152 milhões.
No setor de infraestrutura, estratégico para as pretensões de crescimento de uma economia, teve os desembolsos reduzidos em 22,73% em termos reais, saindo de R$ 411,945 milhões para R$ 318,293 milhões. As empresas de energia registraram baixa nominal de 91,18% nessa comparação. Mas as empresas de transporte rodoviário multiplicaram os desembolsos por seis, de R$ 40,909 milhões para R$ 283,497 milhões.