“Aquela que restou” confronta tradição e desigualdade
Em Aquela que restou, romance de estreia da escritora búlgara Rene Karabash, identidade, tradição e liberdade se chocam a partir da história de Bekia, criada sob as expectativas de um pai que desejava um filho homem. Quando chega o momento de enfrentar o destino reservado às mulheres de sua comunidade, o casamento arranjado, ela recorre a uma tradição dos Bálcãs para escapar.
Bekia faz um juramento de castidade e se torna uma “virgem jurada”, passando a viver socialmente como homem, sob o nome de Matia. A mudança lhe permite assumir direitos e responsabilidades masculinas, mas cobra um preço alto. A decisão desencadeia uma sequência de acontecimentos que atravessa sua vida e redefine a forma como ela se relaciona com o próprio passado.
Anos depois, já adulta, Bekia reconstrói essa história diante de uma jornalista estrangeira interessada em compreender a tradição. As lembranças revelam violências, segredos e escolhas feitas dentro de uma sociedade em que as possibilidades oferecidas às mulheres são determinadas por estruturas patriarcais rígidas.
Karabash transforma esse conflito em um romance sobre sobrevivência e sobre os limites impostos à construção da própria identidade. Ao acompanhar a passagem de Bekia para Matia, o livro questiona até que ponto uma escolha pode ser realmente livre quando nasce da necessidade de escapar de outra forma de submissão.
Traduzido do búlgaro por Amélia Bonfim e Rada Gankova, Aquela que restou já foi publicado em mais de 12 idiomas. O romance recebeu o Prêmio Elias Canetti em 2019 e foi indicado ao International Booker Prize de 2026.
A autora

Rene Karabash nasceu na Bulgária e é poeta, escritora, roteirista, atriz e dramaturga. Reconhecida por sua escrita intensa e por explorar temas ligados a identidade, memória e marginalidade social, ela se destacou internacionalmente com Aquela que restou, seu romance de estreia. A obra foi traduzida para mais de doze idiomas, recebeu o Prêmio Elias Canetti de 2019, o mais prestigioso da Bulgária, e foi indicada ao International Booker Prize de 2026.
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