Arrecadação escorrega em agosto, mas atinge recorde em oito meses
A queda suave da arrecadação bruta em agosto não impediu que os valores arrecadados pelo Estado nos oito primeiros meses deste ano ainda tenham se mantido em níveis recordes para o período na série histórica mais recente da Secretaria de Economia, iniciada em 2018. O resultado acumulado entre janeiro e agosto recebeu contribuição expressiva ainda dos resultados de julho, quando a arrecadação havia experimentado salto de 12,22% em termos reais, na comparação com o mesmo mês do ano passado. O ganho alcançado apenas naquele mês, algo em torno de R$ 406,686 milhões, respondeu por 45,26% do incremento realizado nos oito meses iniciais de 2026.
Os números da secretaria registram uma arrecadação bruta pouco inferior a R$ 3,491 bilhões em agosto, diante de R$ 3,522 bilhões em igual mês do ano passado, num recuo de 0,89%, correspondendo a uma perda de R$ 31,347 milhões. Para comparar, em julho, haviam sido arrecadados R$ 3,329 bilhões em números aproximados, o que significou dizer que observou-se uma redução de 6,54% na passagem de julho para agosto deste ano, em termos reais, perto de R$ 244,419 milhões a menos.
O ganho acumulado no ano, que havia atingido perto de R$ 929,865 milhões entre janeiro e julho, terminou sendo reduzido para R$ 898,518 milhões em oito meses, significando uma variação real de 3,40% em relação a igual período do ano passado, o que pode ser comparado com a elevação de 4,06% acumulada nos sete meses iniciais deste ano na comparação com idêntico período de 2025. Em valores atualizados com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Estado arrecadou R$ 27,303 bilhões entre janeiro e agosto deste ano, frente a R$ 26,404 bilhões naqueles mesmos meses do ano passado.
Resultados mensais
Os dados de agosto mostram redução para praticamente todos os impostos, com exceção para Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e para a categoria “outros tributos”, mas com amplo destaque para o primeiro. Recorde na série para um mês de agosto, as receitas geradas pela cobrança de ICMS avançaram de R$ 2,834 bilhões no ano passado para R$ 2,920 bilhões, representando 83,65% da arrecadação total, numa variação real de 3,04% – o que representou um acréscimo de R$ 8,144 milhões no período. Muito menos expressiva, a arrecadação produzida pelo grupo “outros tributos” saiu de R$ 53,179 milhões para R$ 56,131 milhões, crescendo 5,55% – mas representando um incremento de R$ 2,952 milhões. Uma parte relativamente expressiva daqueles ganhos foi consumida pela queda de 45,99% registrada pelo item “outras receitas”, que incluem aquelas de caráter não tributário. Neste caso, observou-se um tombo de R$ 65,099 milhões, com a arrecadação encolhendo de R$ 141,565 milhões em agosto do ano passado para R$ 76,466 milhões em igual mês deste ano.
Balanço
Os números do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e do Imposto sobre a Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCD) continuaram muito negativos, com quedas de 8,12% e de 22,70% respectivamente, ao mesmo tempo em que as receitas aportadas pelas empresas incentivadas ao Fundo de Proteção Social do Estado de Goiás (Protege Goiás) mantiveram-se quase estagnadas (na prática, com recuo real de 0,99%).
A arrecadação do IPVA baixou de R$ 234,605 milhões para R$ 215,555 milhões, algo como R$ 19,050 milhões a menos. Ao mesmo tempo, sempre tomando os meses de agosto de 2025 e de 2026, o ITCD despencou de R$ 88,612 milhões para R$ 68,496 milhões, com perda de R$ 20,116 milhões. A arrecadação do Protege foi reduzida de R$ 169,918 milhões para R$ 168,231 milhões, qualquer coisa como R$ 1,687 milhão a menos.
Entre os principais setores de atividade, as perdas foram mais severas na indústria e no setor de atacado e distribuição. A arrecadação no setor industrial baixou de R$ 693,230 milhões para R$ 662,020 milhões (queda de 4,50% ou perto de R$ 31,210 milhões a menos). No segundo setor aqui analisado, as perdas somaram R$ 47,263 milhões, já que a arrecadação caiu de R$ 586,364 milhões para R$ 539,101 milhões, em baixa real de 8,06%.
Parcela daquelas perdas foi amortizada pelo salto de 41,76% nas receitas arrecadas no setor de energia elétrica, que avançaram de algo abaixo de R$ 174,40 milhões para R$ 247,231 milhões, refletindo um ganho de R$ 72,831 milhões. Os combustíveis trouxeram, desta vez, contribuição ligeiramente negativa, com a arrecadação no setor retraindo-se de R$ 880,004 milhões para R$ 878,010 milhões, num recuo de 0,23% e perda ao redor de R$ 1,944 milhão.
O ganho no acumulado entre janeiro e agosto foi integralmente assegurado, mais uma vez, pela arrecadação do ICMS, que elevou sua participação no total de 79,14% nos mesmos oito meses do ano passado para 82,35% neste ano. As receitas nesta área alcançaram seu maior nível na série histórica recente, avançando de R$ 20,897 bilhões para R$ 22,484 bilhões, correspondendo a um ganho real de praticamente R$ 1,588 bilhão e a um incremento de 7,60%. Todas as demais categorias de receitas sofreram baixas naquela mesma comparação, lideradas pelo grupo “outras receitas, que desabaram de R$ 1,213 bilhão para R$ 735,510 milhões, num tombo de 37,86% – somando perdas de R$ 477,129 milhões.
Em termos absolutos, a segunda maior contribuição negativa veio do IPVA, em queda de R$ 84,097 milhões ao sair de algo próximo a R$ 1,909 bilhão para R$ 1,824 bilhão, numa redução de 4,41%. O terceiro posto, ainda nesse ranking negativo, ficou para o fundo Protege, que perdeu R$ 59,247 milhões em receitas, numa queda de 4,54% (de R$ 1,304 bilhão para R$ 1,245 bilhão). O ITCD teve a arrecadação reduzida em R$ 50,441 milhões, baixando de R$ 632,835 milhões para R$ 582,394 milhões, numa baixa real de 7,97%. O grupo “outros tributos”, por sua vez, teve a receita reduzida em 7,47% depois de descontada a inflação, passando de R$ 449,409 milhões para R$ 415,836 milhões (em torno de R$ 33,573 milhões a menos).
Combustíveis e energia elétrica sustentaram o crescimento nos oito meses iniciais deste ano, com salto mais expressivo para o segundo setor. A arrecadação no setor de energia saltou 32,53%, de R$ 1,269 bilhão para R$ 1,682 bilhão (mais R$ 412,90 milhões). O comércio de combustíveis gerou uma arrecadação de R$ 6,540 bilhões, gerando um ganho de R$ 659,392 milhões diante de R$ 5,881 bilhões arrecadados entre janeiro e agosto do ano passado, em alta real de 11,21% (sustentada pelo melhor desempenho nas meses anteriores).
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