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terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Arrecadação estadual fecha 2025 com leve recuo e perda de R$ 262,1 milhões

Lauro Veiga Filhopor Lauro Veiga Filho em 6 de janeiro de 2026
Arrecadação
Foto: Divulgação

Os dados consolidados pela Secretaria da Economia de Goiás sobre a arrecadação estadual em 2025, já corrigidos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam um recuo real modesto de 0,70%. A queda representa uma perda de aproximadamente R$ 282,109 milhões em relação ao ano anterior.

Na soma geral, ainda sem descontar os impactos do programa Negocie Já — que perdoou juros e multas para pagamentos à vista e autorizou o parcelamento de débitos tributários em até dez anos —, a arrecadação estadual bruta caiu de R$ 40,322 bilhões em 2024 para menos de R$ 40,040 bilhões em 2025. O principal fator para esse desempenho foi a retração de R$ 196,031 milhões nas receitas do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

A arrecadação do ICMS somou R$ 31,015 bilhões em 2025, equivalente a 77,46% do total arrecadado pelo Estado. O valor representa queda real de 0,63% em comparação aos quase R$ 31,211 bilhões registrados em 2024, já descontada a inflação. A segunda maior contribuição negativa veio do Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCD), cuja arrecadação caiu de R$ 1,093 bilhão para R$ 939,983 milhões, um recuo de 14,03%, equivalente a R$ 153,410 milhões.

Em sentido oposto, o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e os recursos destinados ao Fundo de Proteção Social do Estado de Goiás (Protege Goiás), provenientes de empresas incentivadas, apresentaram crescimento. O IPVA teve alta real de 3,26%, passando de R$ 3,561 bilhões para R$ 3,677 bilhões, com acréscimo de R$ 115,970 milhões. Já o Protege Goiás avançou 5,77%, subindo de R$ 1,969 bilhão para R$ 2,082 bilhões, o que representou ganho de R$ 113,519 milhões.

Efeito Negocie Já

Do ponto de vista da gestão fiscal, o resultado final da arrecadação ganha relevância por refletir a entrada efetiva de recursos no caixa estadual, o que influencia diretamente a capacidade de contratação, empenho e pagamento de despesas. No entanto, para o gestor tributário, a aplicação de ajustes que eliminem efeitos sazonais e não recorrentes permite uma avaliação mais precisa da política fiscal.

Entre abril e dezembro de 2025, o caixa estadual foi reforçado por cerca de R$ 1,805 bilhão arrecadados por meio do programa Negocie Já, referentes a tributos de exercícios anteriores que haviam sido sonegados ou não pagos. Ao descontar esse montante, a arrecadação efetiva de 2024 passa a totalizar R$ 38,517 bilhões. Na comparação com os R$ 40,040 bilhões registrados em 2025, observa-se um crescimento real de 3,95%, equivalente a um ganho de R$ 1,523 bilhão.

Balanço por tributos e setores

Novamente, o ICMS foi o principal destaque positivo quando descontado o efeito do Negocie Já. A arrecadação passou de R$ 29,876 bilhões — já deduzidos R$ 1,335 bilhão do programa, em valores corrigidos — para R$ 31,015 bilhões, um aumento real de aproximadamente R$ 1,139 bilhão. O ITCD também reverteu as perdas da comparação nominal e registrou alta real de 2,75%, com incremento de R$ 25,144 milhões. O IPVA reforçou o desempenho positivo, com crescimento de 12,46%, o que representou cerca de R$ 407,254 milhões adicionais.

Os grupos classificados como “outras receitas” e “outros tributos”, embora tenham participação menor na arrecadação total, exerceram influência significativa na queda observada antes do desconto do Negocie Já, respondendo por pouco mais de 58,7% da retração. As “outras receitas” recuaram 5,09% em termos reais, caindo de R$ 1,782 bilhão para R$ 1,691 bilhão, com perda de R$ 90,731 milhões. Já os “outros tributos” tiveram queda de 10,61%, passando de R$ 706,011 milhões para R$ 631,095 milhões, uma redução de R$ 74,916 milhões.

Na análise por setor de atividade, a maior influência negativa veio do segmento de atacado e distribuição de bens e mercadorias. A arrecadação do setor caiu 4,47% em termos reais, passando de R$ 7,022 bilhões para R$ 6,708 bilhões, o que representou perda de R$ 314,191 milhões. Essa retração praticamente anulou o ganho registrado na arrecadação do setor de combustíveis, que cresceu 3,65%, avançando de R$ 8,527 bilhões para R$ 8,839 bilhões, com acréscimo de R$ 311,591 milhões.

A indústria em geral apresentou o segundo pior desempenho em valores absolutos, com redução de R$ 193,709 milhões na arrecadação, que caiu de R$ 8,214 bilhões para R$ 8,021 bilhões, um recuo real de 2,36%. Apesar disso, o resultado ainda representa o segundo melhor desempenho anual da série histórica da Secretaria da Economia, iniciada em 2018.

O comércio varejista também registrou queda, possivelmente influenciado pelos efeitos do Negocie Já e por uma desaceleração das vendas. A arrecadação do setor diminuiu de R$ 5,266 bilhões para R$ 5,179 bilhões, uma perda de R$ 87,101 milhões, equivalente a recuo real de 1,65%.

Entre os resultados positivos, destacam-se os setores de energia e agropecuária. A arrecadação do setor elétrico cresceu 5,30%, passando de R$ 1,848 bilhão para R$ 1,946 bilhão, impulsionada pelo aumento do consumo e pelo reajuste médio de 18,55% nas tarifas de energia a partir de outubro, o que gerou ganho de R$ 98,008 milhões. Já a agropecuária teve crescimento mais modesto, de 1,14%, com arrecadação de R$ 790,552 milhões em 2025, frente a R$ 781,633 milhões em 2024, adicionando R$ 8,919 milhões aos cofres estaduais.

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