terça-feira, 20 de outubro de 2026

Arrecadação reage em setembro, com salto de 43% no setor de energia

Lauro Veiga Filhopor em
Arrecadação reage em setembro, com salto de 43% no setor de energia
Foto: Marcelo Camargo/ABr

Depois de experimentar suave recuo em agosto, a arrecadação bruta em Goiás reagiu levemente em setembro, retomando o crescimento na comparação com igual período do ano passado, mas numa variação real bastante comedida, depois de descontada a inflação. A reação foi sustentada largamente pelo salto na cobrança de impostos no setor de energia, com influências positivas ainda dos combustíveis e do comércio varejista. Esse comportamento parece explicar, por exemplo, porque praticamente todo o avanço anotado no mês concentrou-se na arrecadação do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

Na soma geral, a arrecadação total, antes de descontados repasses e transferências mandatórias às prefeituras goianas, atingiu R$ 3,691 bilhões em setembro deste ano, num acréscimo de R$ 41,289 milhões em relação aos R$ 3,650 bilhões arrecadados no mesmo mês de 2025, correspondendo a uma variação de 1,13% acima da inflação. As receitas geradas pela cobrança do ICMS avançaram de R$ 2,754 bilhões para quase R$ 2,902 bilhões, o que correspondeu a um ganho de R$ 147,402 milhões. A participação do imposto na arrecadação total, que já era elevada, atingiu 78,6% em setembro deste ano, o que se compara com 75,5% em igual mês do ano passado.

Como mostram os dados da Secretaria da Economia de Goiás, as receitas de todos os demais impostos e tributos encolheram 11,85% naquela mesma comparação, baixando de R$ 895,514 milhões para R$ 798,401 milhões. Esse desempenho foi marcado pelo tombo de 48,85% em valores reais observado para o grupo “outras receitas”, que desabou de R$ 140,744 milhões para R$ 71,991 milhões, gerando perdas de R$ 68,753 milhões.

 

Perdas (quase) generalizadas

Linhas importantes de receitas igualmente sofreram baixas no mês passado, com queda de 2,27% para o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), que saiu de R$ 455,731 milhões para R$ 445,367 milhões; baixa de 1,12% para os recursos recolhidos ao Fundo de Proteção Social do Estado de Goiás (Protege Goiás), recuando de R$ 164,514 milhões para R$ 162,677 milhões; e redução de 25,13% para o Imposto sobre a Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCD), que saiu de R$ 80,101 milhões para R$ 59,975 milhões, algo como R$ 20,126 milhões a menos.

 

Balanço

Ainda em setembro, a principal influência veio do setor de energia elétrica, que gerou um ganho de arrecadação ao redor de R$ 68,475 milhões (quer dizer, mais do que todo o ganho observado para o total da arrecadação bruta). As receitas naquele setor subiram de R$ 160,549 milhões para R$ 229,024 milhões, num salto de 42,65%.

O segundo melhor resultado mensal veio do varejo, que teve a arrecadação ampliada de R$ 434,692 milhões para R$ 462,289 milhões, em alta de 6,58% (ou mais R$ 28,597 milhões). A arrecadação sobre combustíveis variou 2,18% e avançou de R$ 841,432 milhões para R$ 859,770 milhões, trazendo um ganho de R$ 18,338 milhões.

Os dados mensais da secretaria mostram reduções de 2,11% no setor atacadista (de R$ 562,043 milhões para R$ 550,201 milhões), de 3,32% na indústria (saindo de R$ 676,642 milhões para R$ 654,161 milhões) e recuo de 1,56% para “outras atividades econômicas” (variando de R$ 727,880 milhões para R$ 716,532 milhões).

No acumulado entre janeiro e setembro deste ano, a arrecadação bruta somou R$ 31,156 bilhões a valores de setembro deste ano, variando 3,21% frente aos R$ 30,185 bilhões arrecadados nos primeiros nove meses do ano passado, produzindo um ganho de R$ 970,228 milhões. Na série mais recente da Secretaria da Economia, iniciada em 2018, a arrecadação bateu novo recorde para o período.

Mais uma vez, o ICMS liderou a alta acumulada no ano ao apresentar avanço real de 7,38% frente aos nove meses iniciais do ano passado, saindo de R$ 23,755 bilhões, algo como 78,70% da arrecadação total, para R$ 25,507 bilhões – um incremento equivalente a R$ 1,752 bilhão. A fatia do ICMS na receita bruta total alcançou 81,87% neste ano.

Olhando os tributos restantes, houve uma perda de R$ 782,055 milhões naquela mesma comparação, dos quais quase 68% (mais precisamente 67,76%) vieram do grupo “outras receitas”, seguindo um padrão observado de resto ao longo do exercício fiscal em curso. A arrecadação naquele setor despencou de R$ 1,359 bilhão para R$ 829,496 milhões, caindo 38,98%, numa perda de R$ 529,918 milhões.

Pela ordem, apenas em termos proporcionais, o ITCD sofreu baixa de 9,86% no acumulado até setembro, comparado aos mesmos nove meses de 2025, encolhendo de R$ 716,084 milhões para R$ 645,487 milhões, quer dizer, qualquer coisa em torno de R$ 70,597 milhões a menos). No caso do Protege, o recuo chegou a 4,12% em termos reais, com a receita recuando de R$ 1,475 bilhão para R$ 1,414 bilhão (perto de R$ 60,836 milhões a menos). Em valores absolutos, a maior contribuição negativa, entre os tributos, veio do IPVA, com uma perda de R$ 94,185 milhões, com a arrecadação baixando de R$ 2,374 bilhões para pouco menos de R$ 2,280 bilhões, o que correspondeu a uma redução de 3,97%.

Entre os setores de atividade, combustíveis e energia tiveram maior impacto no crescimento geral. No primeiro caso, a receita subiu de R$ 6,752 bilhões para R$ 7,436 bilhões, em alta de 10,13% (perto de R$ 684,021 milhões a mais). Na geração, transmissão e distribuição de energia, concentrada neste último segmento, a arrecadação alcançou R$ 1,920 bilhão entre janeiro e setembro deste ano, frente a R$ 1,436 bilhão em idêntico período de 2025, em alta de 33,72%, representando um ganho de R$ 484,225 milhões. A indústria gerou perdas de R$ 196,545 milhões, com a arrecadação no setor recuando de R$ 6,047 bilhões para R$ 5,850 bilhões, em baixa de 3,25%.

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