Arruda incomoda mais Ibaneis que a crise Banco Master-BRB
Há menos de um ano, o ex-governador José Roberto Arruda (agora no PSD) era apenas uma promessa de candidatura a governador do Distrito Federal. Algo distante e lembrado por meia dúzia de fiéis amigos que acompanham seu calvário político há 15 anos. Mas a ‘mexida’ na Lei da Ficha Limpa trouxe uma réstia de luz que ele tem aproveitado com dedicação canina. O primeiro passo foi deixar o PL, legenda à qual estava filiado, e migrar para o PSD, sob as bênçãos do mandachuva nacional dos pessedistas, Gilberto Kassab.
Mesmo na liderança na intenção de votos, a vice-governadora Celina Leão (PP) tem Arruda como seu principal adversário, conforme apontamentos da Pesquisa Marca, divulgados na terça-feira (23). Celina tem 39% da intenção de votos, Arruda (PSD) aparece com 19%, Leandro Grass (PT) 14%, a deputada distrital Paula Belmonte (PSDB) 7% e Ricardo Cappelli (PSB) 5%. Como pode ser anotado, Celina tem o dobro da intenção de votos de Arruda, mas é bom lembrar que ainda faltam nove meses para o primeiro turno da eleição de 2026.
Essa distância e o fato de que Arruda tem crescido na intenção de votos preocupam mais o governador Ibaneis Rocha (MDB), que deseja disputar uma das vagas ao Senado, do que o escândalo do Banco Master e o BRB. Tem razão de ser essa a preocupação de Ibaneis, afinal, está em jogo a aliança com o PL da ex-primeira-dama da República, Michelle Bolsonaro (PL), que representa um ativo político importante e a consolidação de seu grupo no poder. No entanto, se a Polícia Federal encontrar as digitais de Ibaneis na negociação da compra de ativos podres do Master, pode atrapalhar os planos do grupo em se manter à frente do GDF.
Pode ou não pode ser candidato?
Na avaliação dos advogados de José Roberto Arruda, a ‘mexida’ na Lei da Ficha Limpa, aprovada pelo Congresso, diz que a inelegibilidade de oito anos começa a valer a partir da decisão de segundo grau. Se prevalecer esse entendimento, Arruda estará elegível desde 2022. Mas, por enquanto, seus adversários vão tentar emplacar a narrativa de que o STF pode julgar o artigo inconstitucional.
Estilo Roriz
Para analistas políticos, Arruda tem feito o dever de casa certinho ao resgatar a memória do ex-governador Joaquim Roriz (1936-2018). Em suas postagens nas redes sociais, Arruda ressalta que aprendeu com Roriz a cuidar bem da cidade, ressalta seu legado e critica a falta de obras estruturantes e de mobilidade urbana. “O DF vai voltar a ser um canteiro de obras e avançar em políticas públicas de inserção social”, tem dito em suas reuniões.
Visão de Izalci
O senador Izalci Lucas (PL) defende a união do PL com José Roberto Arruda (PSD). Ele argumenta que se o partido insistir em apoiar Celina Leão (PP) para governadora, só ficam Michelle Bolsonaro e a deputada federal Bia Kicis na legenda. “Na chapa de Arruda, temos condições de eleger no mínimo dois deputados federais”, disse à coluna.
Corrida para federação
A maioria dos partidos, principalmente os pequenos e médios, aceleram negociações para fusão ou federação. O prazo vence em abril, portanto, daqui a quatro meses vai ter muita agitação. Além da formação de chapas para deputados federais e estaduais, ainda tem o desafio de preencher as cotas, sendo a feminina a mais desafiadora.
Lissauer na estrada
Entre os nomes fortes do PL para uma vaga na Alego está o ex-deputado estadual Lissauer Vieira. Assim como o deputado Delegado Eduardo Prado, Lissauer não tem economizado pneu rodando o Estado em busca de aliados. O ex-deputado conta com lideranças expressivas no agro, prefeitos e nomes de peso em todos os segmentos.
Lula com o pé na porta – lideranças do Centrão foram alertadas que o presidente Lula (PT) opera para travar qualquer avanço do grupo em outra direção que não seja apoiar sua reeleição. Os insatisfeitos com Flávio Bolsonaro (PL-RJ) terão prioridade.