sábado, 5 de setembro de 2026

Arruda na corda bamba da Justiça amplia favoritismo de Celina Leão

Wilson Silvestrepor em
Arruda
Ao indeferir a candidatura de José Roberto Arruda, o TRE-DF joga uma pá de cal virgem no sonho do ex-chefe do GDF a retornar ao Palácio do Buriti Ilustração: Takeshi Gondo

Ao indeferir a candidatura de José Roberto Arruda (PSD) a governador do DF, o Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) joga uma pá de cal virgem no sonho de retornar ao Palácio do Buriti. A decisão por unanimidade tende a ser confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas, mesmo que venha a ser derrotado novamente, Arruda pode recorrer ao STF. No entanto, aí é que a coisa engastalha, pois existe a ação de inconstitucionalidade sobre a Leia da Ficha Limpa que trata do mesmo assunto. Como o ministro Gilmar Mendes pediu vistas do processo, só os deuses do Olimpo sabem o que vão decidir. Assim, pode-se afirmar que Arruda está em meio à travessia numa corda bamba e qualquer desequilíbrio pode o derrubar.

Até esse desfecho final, vão deixar Arruda ‘sangrando’ politicamente, isto porque, na teoria da conspiração estilo Veneza dos Médice, os dois maiores beneficiários do espólio político de Arruda seriam Celina Leão (PP) e Leandro Grass (PT). No roteiro desse enredo, a explicação é de que uma parcela de 5% dos votos do ex-governador migraria para Grass. Desse modo, o petista chegaria ao segundo turno, objetivo que buscaram na eleição de 2022 e que foi forjado nas disputadas aguerridas com o azul de Joaquim Roriz (1936-2018).

Na teoria, essa conjectura é perfeita, mas a realidade é que Celina Leão não joga parada e conta com 12 partidos em sua base. Um capital político que, bem administrado, faz uma baita diferença numa disputa eleitoral. Pode ser acrescido nessa equação o fator “gestão responsável”, que tem no núcleo estratégico Valério Luiz, na economia um doutor em engenharia financeira, Valdivino de Oliveira, e Wellington Moraes, um craque que sabe dialogar com formadores de opinião e a mídia. Agora, incorporado ao time, Paulo Fona, mestre na arte de dar celeridade às demandas da imprensa. E numa das pastas mais sensíveis do governo, a educação, Celina buscou o especialista em podium do Ideb, Thiago Peixoto, ex-secretário em Goiás.

Eleitor de Arruda é antipetista

Não é mistério para quem conhece a história da política brasiliense que o eleitor de Arruda é, na sua grande maioria, antipetista, blindado contra qualquer sedução da esquerda. Portanto, Leandro Grass (PT) e Ricardo Cappelli (PSB) podem até sonhar com uma fatia do bolo, mas não devem sair da mesa com nada além de migalhas.

Diálogo possível

A dúvida dentro da base governista é se Celina vai simplesmente colher os frutos deixados por Arruda ou vai precisar regar a plantação com algum aceno mais direto do ex-governador, pois por mais que sejam adversários agora, o diálogo entre Celina e Arruda por apoio público é possível, luxo com o qual nenhum candidato de esquerda pode contar.

PSDB contesta

Dentro do ninho tucano, a pesquisa Atlas Intel (GO-05293/2026), divulgada na última quinta-feira (3), foi tratada como enquete de internet. “Todos os indicadores sérios apontam para um segundo turno entre Marconi (Perillo) e Daniel (Vilela). E todos sabem que, num segundo turno, Marconi atropela Daniel. Vamos aguardar a pesquisa verdadeira no dia 4 de outubro”, afirmou um tucano à coluna.

Festa no PL

Já na campanha de Wilder Morais (PL), a pesquisa Atlas Intel (GO-05293/2026) foi recebida com festa, e não é para menos. Pela primeira vez o bolsonarista apareceu em segundo lugar, à frente de Marconi Perillo (PSDB), mas tratada como “fotografia velha”, já que as manifestações de 7 de setembro devem turbinar a campanha do senador.

Sem estresse

Apesar do crescimento de Flávio Bolsonaro (PL) nas últimas pesquisas, a avaliação no entorno do presidente Lula (PT) é de que a campanha está sob controle. No QG petista, a expectativa é de que uma bateria de notícias negativas contra o filho “03” seja divulgada na reta final. A ordem é guardar munição para a hora que não tiver mais como reagir.

Tá no jogo! – Depois de superar o pedido de impugnação na Justiça Eleitoral, Adair Henriques (PSDB), o “Vovô do Jeep”, é visto no ninho tucano, como uma promessa de votos com capacidade de desmontar o favoritismo do Professor Alcides.

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